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Super-Herói: um exigente segundo emprego a tempo inteiro

el  domingo, 03 abril 2016 14:30 Escrito por 

O cinema sempre se debruçou sobre a importância da Persona e das diferentes camadas que usamos para nos apresentarmos ao mundo. Com a chegada dos filmes e séries de super-heróis e a eminente discussão em Civil War sobre se devemos ou não ter direito a uma outra identidade, será interessante explorar as diferentes perspectivas segundo o que tem sido dito no cinema e televisão.

Isto começou como um artigo sobre as duplas identidades e acabou por se focar mais nos empregos dessas identidades e como conciliar duas vidas igualmente exigentes.

Há anos saiu no Data Hero um artigo de Kelli Simpson sobre a educação, ocupação e fortuna de vários super-heróis. Aí constatamos que falando apenas dos nomes mais conhecidos, cerca de metade não tem uma ocupação remunerada. Aqui tentaremos explicar o porquê com base no que o cinema e a televisão nos mostraram ultimamente.

Não é preciso ir aos heróis convencionais para encontrar máscaras. Num episódio de "NCIS: LA" falam de uma coisa chamada coração. O primeiro é o que mostramos ao mundo. O segundo é para os amigos próximos e a família. E o terceiro é aquele que guardamos para nós e talvez mais uma pessoa. Se uma pessoa normal já tem de lidar com três personas, quando se vive uma vida dupla a situação piora.

Isso é muito óbvio nos heróis da DC. Temos a icónica cena onde Bruce Wayne e Selina Kyle estão a dançar e trocam frases que os seus alter-egos Batman e Catwoman tinham dito ao revés. Quando a identidade civil usou uma máscara em comum com a identidade super, estragaram o disfarce.

Clark Kent é tão diferente de Kal-El que não precisa de uma máscara para parecer outra pessoa. E o mesmo em relação à prima. O herói alienígena que irradia força e confiança recorre a uma identidade humana desastrada. Mesmo que algumas conversas mais pessoais com Lois o denunciassem, os problemas que afligem as duas personagens são de escalas incomparáveis e nem a perspicaz jornalista os associa.

Olhemos para o Flash televisivo que revela a identidade a todos os que o rodeiam. Mesmo excluindo o detalhe de alguns vilões terem conhecido a sua identidade, na prática quem a conhece é da equipa Flash, da equipa Arrow, ou da equipa Legends of Tomorrow. O maior outsider seria Linda Park, mas como Iris refere no final do episódio onde enfrentam a Dr. Light, "nós somos a claque oficial do Flash". Não é da equipa, mas é como se fosse. A Patty Spivot não foi dito, mas descobriu-o quando era parceira de Joe na task force dos meta-humanos e namorada de Barry, pelo que é equipa Flash, mesmo que Flash não o queira.

Comparando a atitude de Bruce Wayne com Oliver Queen - dois milionários que combatem o crime à noite - Oliver quer o anonimato para proteger a família. Bruce mesmo sem ter família, precisa de ter uma vida só sua, não aguenta a pressão de ser sempre o Batman. Por outro lado, os grandes vilões rapidamente trocam a sua antiga vida por um alter-ego, frequentemente ainda mais poderoso. Porquê? Se já eram criminosos, foi porque já viviam escondidos no submundo. A psiquiatria pode ainda argumentar que teriam distúrbios mentais e comportamentos anti-sociais e não seriam tão sociáveis como alguém bom, mas o escape que dão aos problemas íntimos não é pelo diálogo, é extravasado nos seus actos malignos. E se antes tinham vidas normais, como a maior parte dos vilões que Batman e Flash enfrentam, é o fim da possibilidade de serem normais que lhes arruína essa réstia de normalidade e os manda para Arkham.

Olhando para os Avengers, temos situações muito estranhas. Tony Stark sempre foi uma celebridade arrogante. Ter uma identidade secreta era incompatível com a sua agenda pelo que preferiu revelar-se logo ao mundo e aumentar esse aumento de fama em seu proveito. Steve Rogers vivia para o exército e ser Capitão América a tempo inteiro é como ter uma carreira militar. Mesmo tirando uns dias de licença, não é na sua época que está. A vida militar e combater o inimigo é tudo o que sabe fazer. Todos os outros, mesmo alguns agentes que pareciam viver exclusivamente para a SHIELD, vão revelar ter uma vida normal secreta como vimos em "Avengers: Age of Ultron" para Barton/Hawkeye.

Recuando para alguns dos trabalhos anteriores de Joss Whedon, podemos recordar Buffy Summers que raramente tirava um dia de folga das suas rondas no cemitério e tinha sempre azar com os namorados que ou eram vampiros, ou demónios, ou caçadores desse tipo de criaturas. Depois dela surgiram na televisão várias outras super-mulheres que ajudavam os mortos, desde "Tru Calling" e "Ghost Whisperer" até à recente "iZombie". Quem tem um dom não pode fugir dele. Pode tentar por algum tempo, mas o arrependimento acabará por levar a melhor.

Nos heróis passa-se o mesmo que nos vilões. Podemos recordar em "The Incredibles" que além de Mr. Incredible e Frozone saírem semanalmente para escutar as frequências da polícia e ajudar os inocentes por a vida civil não lhes bastar, vários outros heróis foram sendo capturados pelo Síndrome por terem o “bichinho” da adrenalina a zumbir constantemente. Ou o filme "Superman Returns" sobre a ausência prolongada do Super-Homem e o mal que isso lhe fez.

Mas se não conseguem evitar serem heróis, e não querem colocar os amigos em risco ou estarem sempre a inventar desculpas para o patrão, seria possível viverem apenas dos heroísmos e deixarem o trabalho civil? Não é que os milionários como Wayne, Stark, Palmer e Queen precisem de trabalhar, mas poderia Clark Kent deixar de escrever, ou Barry Allen deixar o laboratório? Conseguiriam que agências governamentais secretas ou os governos locais lhes pagassem uma mensalidade pelos actos heróicos? Ou terem um preçário dos serviços prestados que seriam encomendados à unidade ou por atacado?

Num cenário realista, a maior parte dos heróis seriam regularmente despedidos do outro emprego por estarem constantemente fora do posto de trabalho. Talvez possam ter empregos em regime freelancer e ajustarem os horários como Peter Parker com o serviço de fotógrafo. Nesta geração de trabalhos temporários e rotatividade laboral seria o mais natural. Contudo, olhando para o que eles fazem como heróis e o sentimento de dever demonstrado, penso que nenhum deles quer deixar o seu outro trabalho em mãos alheias. São fundamentais em ambos e por vezes fazem o mesmo trabalho com as duas identidades tal como Matt Murdock e Daredevil. Por isso é que se formaram os Avengers, Justice League e demais super-equipas (E para criar esse espírito é que há escolas como dos X-Men e dos Teen Titans). Para que os super tenham ao seu lado outros super que os complementem e substituam e eles possam ter umas férias ou pelo menos algum descanso do super-emprego. Agora só falta terem equipas que os ajudem no emprego diurno. Uma das poucas referências ao facto veio no final de “Justice League: Throne of Atlantis” quando perguntam a Aquaman se ele teria tempo para ser rei e ir a reuniões semanais dos ex-Super Seven. Ele responde que será difícil, mas terá de fazer um esforço para funcionar ou não estará a fazer bem o seu papel de elo entre os dois povos. O importante é definir bem os horários de cada. O exemplo ideal é o Cavaleiro das Trevas que só sai mascarado à noite (Bruce Wayne nunca gostou muito de ir a recepções) e se tiver de sair de dia garante que Lucius Fox segura as rédeas da empresa.

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