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Crítica a "The Station"

el  sábado, 06 setembro 2014 21:00 Escrito por 

O terror vindo do gelo.... outra vez.

Quando John Carpenter nos trouxe “The Thing”, o filme anterior que o tinha inspirado não era mundialmente conhecido. Quando em 2011 chegou uma revisão/prequela, foi imediatamente comparada. O filme não era mau, mas estava a tentar ombrear com um dos maiores títulos do género. Em 2013 voltamos a ter uma equipa de cientistas no meio da neve, a serem atacados por uma criatura mutante, mas ninguém quis comparar, pois não era um aproveitamento. “The Station” é uma versão dessa história que tem como principal diferença passar-se nas montanhas europeias, ser ecológica, e ser uma comédia. Tem tanto em comu, e ao mesmo tempo é quase o contrário.

Alpes áustriacos. Uma equipa está a investigar o degelo causado pelo aquecimento global. Um derrame suspeito que pediria mais atenção, é deixado para segundo plano pois no dia seguinte a ministra vai visitar o posto avançado científico. Esse acontecimento vai perturbar a rotina da investigação, no dia em que mais investigação era precisa. Janek é o responsável do posto. Enquanto os cientistas se revezam , ele fica lá ano após ano. Tem a responsabilidade de manter todos seguros e num cenário normal até o faria, mas a conselheira que acompanha a ministra faz parte do seu passado e quando o coração não está tranquilo, a cabeça também não funciona bem.

A ecologia está na ordem do dia. Infelizmente tem sofrido especialização. Hoje em dia só se fala do aquecimento global e parece que um ataque à Natureza não interessa a não ser que faça subir a temperatura.. Por isso não é de estranhar que o degelo seja um tema de eleição. E o tema do que estará escondido no gelo tem enorme potencial, desde criaturas pré-históricas, a humanos de outra era e criaturas imaginárias. Este filme encaixa no terceiro caso (esperemos) e liberta um ser que absorve características dos animais com que entra em contacto. Com uma evolução extremamente rápida que o aproxima da perfeição, é um inimigo considerável. Em pouco tempo invencível. Parece familiar?

Todavia, “The Station” tem muito para se distinguir. Enquanto do ponto de vista técnico está bastante competente, os actores deixam um pouco a desejar. A cinematografia austríaca não é muito variada pelo que estes actores a experiência que têm veio da televisão. Alguns nem isso. A estrela maior será a experiente Brigitte Kren que aqui faz de ministra, e por acaso é mãe do realizador. É que quase todo o humor do filme passa pela personagem dela e é um factor diferenciador. Sem a ministra, ou com outra a fazer de ministra, o filme seria completamente diferente. E mau. Assim é um filme fácil de ver, que toca em muitos temas conhecidos, sendo essencialmente uma mensagem Natureza versus Humanidade com tudo aquilo que gostamos em Alien, Jaws entre outras referências da época, e com a vantagem de não se tentar comparar a nenhum deles.

As críticas online são muito negativas, mas são maioritariamente de americanos que viram uma versão mal dobrada em DVD. Vista em cinema e falada em alemão proporciona bons momentos. Alguns dos efeitos especiais (estou a pensar na parede de gelo vermelha) revelam a sua fraqueza no grande ecrã, mas a intenção é suficiente para gostar do filme.

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