Foram vinte e dois anos que podem ser claramente divididos em dois períodos de dez anos, com 2004 e 2014 como pontos de viragem. Na primeira década conquistou o seu lugar no cinema filme a filme. Seguiu-se um ano com cinco filmes! Na década seguinte o cinema fantástico começou a ganhar peso e em 2014 voltou a ter cinco filmes estreados em sala (pelas contas da distribuição em Portugal) sendo quatro deles de género. Vamos então ver em detalhe.
1994-2003 Uma década para a consagração
Tudo começou no distante ano de 1994 quando, com apenas dez anos, teve um pequeno papel em “North”. Apesar de ser um filme com muito de fantástico, num elenco onde se perdia entre tantas estrelas reconhecidas e num filme muito mal recebido pela crítica, escusamos de olhar para este trabalho com muita atenção.
No ano seguinte não conseguiu o lugar para filmar um tal de “Jumanji”, mas entrou num thriller onde tem um pouco mais de destaque: “Just Cause”, onde interpreta a filha de Sean Connery em mais um elenco de luxo.
Em 1996 começam os protagonismos a que nos habituará ao longo de uma carreira onde dificilmente ficaria em segundo plano. Foi como a metade mais nova de “Manny & Lo”, uma criança em fuga com a irmã grávida. Ainda fora do fantástico seguiram-se dois filmes de Eric Schaeffer e o terceiro “Home Alone”. Pequenos passos de uma carreira ainda a despontar.
Em 1998 começam os filmes que a tornarão conhecida, aquela fase antes de se tornar célebre.
“The Horse Whisperer” foi o primeiro. Interpretava uma criança traumatizada cuja mãe contrata o tal encantador de cavalos para a ajudar a montar um cavalo magoado.
No ano seguinte a magia tem lugar de uma forma caricata e o irmão mais novo transforma-se em porco “My Brother the Pig”.
Após este período a actriz fez uma pausa. Podemos dizer que renasceu nesse período, pois voltou como um nome incontornável da sétima arte em vários géneros. Em 2001 tem um pequeno papel em “The Man Who Wasn’t There” e protagoniza “Ghost World” ao lado de Thora Birch. Ambos nomeados a Oscar e filmes de culto nos seus nichos. Foi ainda a personagem central de “An American Rhapsody” interpretando uma jovem emigrante.
Quando a carreira parecia estar em fase ascendente entrou no desconcertante “Eight Legged Freaks” que recuperou as aranhas gigantes como criaturas de terror. O filme série B pode ter sido divertido de rodar, contudo foi um pequeno susto que nos pregou antes de começar a marcar o seu lugar na história do Cinema. Em 2003 entrou em “Lost in Translation” e “Girl With a Pearl Earring”, duas nomeações aos BAFTA e aos Golden Globes (venceu um BAFTA).
2004 a confirmação
Um total de cinco trabalhos da actriz chegaram ao cinema no mesmo ano. Desde a voz no filme de Bob Esponja, à teimosia em “A Love Song for Bobby Long” - que lhe valeu nova nomeação pela imprensa estrangeira - não havia como escapar a ver ou ouvir a actriz. Era a indústria a explorar o novo filão e a aproveitar uma combinação rara de talento, beleza e juventude.
2005-2014 Uma década de fantástico
Este período tem de começar com a referência a “Match Point”. O papel pode não ser tão importante como os anteriormente referidos, mas a parceria com Woody Allen foi importante para ambos. Para ele foi um regresso aos êxitos após uns anos nas sombras. Para ela foi um grande voto de qualidade e conseguiu a quarta nomeação aos Golden Globes em três anos.
Limitando a extensa lista aos filmes que realmente interessarão aos nossos leitores, 2005 teve a FC à moda de Michael Bay “The Island”. Em 2006 Allen leva-a numa nova viagem, desta vez pelo mundo da magia em “Scoop”, e trabalhou com outros dois grandes nomes do cinema com os thrillers “The Prestige” de Nolan e “The Black Dahlia” de De Palma, ambos nomeados ao Oscar de Fotografia.
Com o tempo o casting no género ficou mais espaçado. Em 2008 experimentou as adaptações de comic em “The Spirit”, um dos filmes mais arrasados pela crítica e público dentro da categoria.
Em 2010 voltou a experimentar o género com uma participação em “Iron Man 2” como Natasha Romanoff/Black Widow. Essa entrada no mundo Marvel marcou o regresso ao fantástico dois anos depois, no filme “The Avengers”. Foi também o ano em que interpretou Janet Leigh no biopic sobre Hitchcock com o nome do realizador e em que inaugurou a sua estrela no Walk Of Fame.
Se fazer um filme a cada dois anos nos faziam ignorar Johansson no espectro do fantástico, parece que os últimos anos a fizeram mudar de ideias. Em 2013 a sua voz manteve-nos apaixonados em “Her”, um dos filmes mais aplaudidos dos últimos anos e que lhe valeu a primeira vitória de um Saturn Award (a primeira nomeação foi quando encarnou Black Widow).
Ainda em 2013 (para os festivais) destapou o corpo como uma irresistível abductora alienígena em “Under the Skin”, um dos filmes mais controversos da temporada.
Em 2014 os dois títulos referidos acima estrearam no nosso território. Seguiu-se o seu regresso de Black Widow em “Captain America 2” e como estrela solitária de “Lucy”. Estes dois últimos filmes foram respectivamente o terceiro e quarto da sua carreira que mais facturaram, apenas atrás dos outros dois Marvel. "Lucy" foi o segundo filme mais visto do ano em Portugal.
O que o futuro trará
2014 parece ter sido o ano de viragem da actriz para o cinema de género. O futuro está cheio de oportunidades para a verem novamente. Decerto estarão todos bastante ansiosos pela próxima oportunidade de rever Natasha e todos os Vingadores no final de Abril em “Avengers: Age of Ultron” e em Outubro poderão ouvi-la como a encantadora serpente Kaa numa nova versão em imagem real de “The Jungle Book” trazida pela Disney e por Jon Favreau que a dirige pela terceira vez. A partir daí ainda não há nada confirmado, mas parece seguro dizer que também já marcou a sua posição neste recanto, tal como dez anos antes o fez com o resto do cinema.
