Na última década os filmes em imagem real da (ou baseados em personagens da) editora Marvel Comics – a tradicional rival da DC Comics - têm gozado um grande sucesso. Basta lembrar os filmes do X-men, Homem-Aranha e os mais recentes dos heróis Thor, Capitão América, Hulk e Homem de Ferro que se vão unir no megacrossover “The Avengers”. No entanto, a DC Comics – excluindo os Batman de Christopher Nolan – não tem tido sorte no boxoffice com as adaptações live action (Superman Returns, Catwoman). Para compensar, no mercado da animação a DC Comics supera a concorrência. Desde os anos 90 com as excelentes séries animadas do Batman, Super-Homem, até às mais recentes da Liga da Justiça, a DC Comics desenvolveu desde 2007, 13 filmes (e 2 em produção) lançados directamente no mercado de vídeo. Este conjunto de filmes é conhecido por “DC Universe Animated Original Movies”, e apesar de não seguirem exactamente a continuidade narrativa das anteriores séries animadas, tem sido mantido um nível de qualidade bastante aceitável, mais maduro que o tradicional desenho animado para televisão, com mais ênfase na acção, mas com uma identidade reconhecível, mesmo para os menos familiarizados com a complexa mitologia dos personagens da editora.
O filme está dedicado a Dwayne McDuffie (Justice League Unlimited), que faleceu pouco depois de completar o argumento. O fio condutor da história é basicamente uma versão livre do aclamado arco argumental “JLA: Tower of Babel”, escrito por Mark Waid e publicado em 2000. Ou melhor, uma versão muito livre. O vilão principal é o imortal conquistador (e megalómano) Vandal Savage que contrata antagonistas de cada um dos heróis da Liga da Justiça e os instrui a trabalhar em conjunto, numa versão de segunda categoria da Legião do Mal (Legion of Doom). Seguindo o plano de Savage, os vilões (Bane, Cheetah, Metallo, Star Saphire, Mestre dos Espelhos e Ma'alefa'ak) derrotam os heróis e iniciam a próxima fase do plano, eliminar metade da população do planeta e criar uma utopia dominada por – obviamente - Savage. Mas Cyborg representa uma variável inesperada que pode complicar o esquema dos vilões.

No competente elenco temos Kevin Conroy, a voz mais reconhecida do Batman em cerca de 2 décadas de séries e filmes animados da DC Comics. Também de volta está Tim Daly, como Super-Homem. Tal como Conroy também Susan Eisenberg, Carl Lumby e Michael Rosenbaum (o Lex Luthor de Smallville) repetem os papéis da série Justice League como a Mulher Maravilha, Caçador de Marte e Flash, respectivamente. Uma adição mais recente ao universo animado é o carismático actor Nathan Fillion (estrela das séries Castle e Firefly) que regressa como o Lanterna Verde Hal Jordan, depois de o encarnar na antologia “Green Lantern: Emerald Knights” (2011).
Nada muito sofisticado, um pouco apressado e curto de duração, apesar de termos direito a uns flashbacks da longa vida de Vandal Savage, teria sido interessante abordar melhor alguns aspectos da “traição”, mas no cômputo geral é um entretenimento satisfatório, tanto para fãs da banda desenhada como para leigos. Ganha pontos por tirar todos os heróis da sua zona de conforto, confrontando-os com as suas maiores fraquezas e medos. É incomum ver o Batman, o herói sempre dois passos á frente dos vilões, desnorteado. Os próximos projectos animados da DC Comics são “Superman Versus The Elite” e “The Dark Knight Returns” (adaptação em duas partes da mítica história de Frank Miller).

Título Original: " Justice League: Doom " (EUA, 2012)
Realização: Lauren Montgomery
Argumento: Dwayne McDuffie
Intérpretes: Kevin Conroy, Tim Daly, Susan Eisenberg, Carl Lumby, Michael Rosenbaum, Nathan Fillion.
Música: Christopher Drake
Género: Acção, Aventura, Ficção-Científica, Animação
Duração: 77 min.
Sítio Oficial: http://www.facebook.com/justiceleaguedoom

