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Crítica a "Young Ones"

el  segunda, 05 janeiro 2015 08:30 Escrito por 

Filme será lançado em DVD este mês.

Se estão à procura de um filme de ficção-científica pós-apocalíptico e este título apareceu no vosso radar, tenham cuidado. A classificação pode ser enganadora e a desilusão tremenda. A aceitação será melhor entre os apreciadores de westerns do que entre os do fantástico.

A digressão por um mundo sem água não é um tema novo para ninguém. Essa preocupação tem sido recorrente no cinema desde sempre e cada vez ganha mais importância. “Young Ones” não é sobre a falta de água, mas sobre os motivos porque a afastam das pessoas. Esta sociedade vai-nos sendo apresentada aos poucos permitindo adaptar em muito a opinião que se vai formando sobre a situação. E indo para além da velha questão da luta pela água e pela terra, fala de problemas tão velhos como a humanidade e que os westerns tradicionais já várias vezes trataram. Por isso “Young Ones”, além de ser ficção-científica, é também e principalmente um western. A linha entre os bons e os maus é muito ténue como sempre deveria ter sido, contudo os animais de carga, o andar sempre com uma arma, o magnata local que está acima da justiça, o construir de uma linha férrea (substituída por algo mais moderno), o moço à procura de uma moça, as paisagens incríveis e as noites solitárias com as estrelas como tecto, todos esses elementos estão aqui. Há alguns robots e alguma tecnologia motorizada para dar o toque de futuro, mas a essência é intemporal e apenas uma modernice mínima tem relevância para esta história.

O trunfo do filme está na forma como trabalha o tema, permitindo-nos não só mudar a percepção sobre as envolventes sociais, como referi acima, mas especialmente esquecer por momentos o mundo onde tudo acontece e ficarmos com as personagens, a ouvir as suas histórias e viver as suas aventuras. Essa parte humana tem sido muito menosprezada e maltratada no cinema, todavia aqui fica provado que ainda é possível fazer as coisas bem.

Muito do mérito reside nos actores envolvidos. Michael Shannon é um nome com créditos firmado no cinema, em grande parte devido ao seu trabalho no cinema independente, mas cada vez mais também no fantástico. Quanto a esta entrada na ficção-científica pós-apocalíptica (na pré-apocalíptica já tem muita experiência) fê-la em muito boa companhia, com os jovens veteranos Elle Fanning, Kodi Smit-McPhee e Nicholas Hoult. Fanning tem uma personagem secundária, servindo apenas como ligação dos demais, mas os três actores estão particularmente bem. Em especial Hoult que sai do seu registo habitual e Smit-McPhee que está na fase de transição dos papéis infantis para os adultos e aqui tem um desempenho muito promissor. Shannon está sempre bem.

Na cadeira de realizador estava um regressado Jake Paltrow (sim, dessa família), que nos seus vinte anos de carreira nos tinha trazido apenas uma longa. A experiência na televisão chegou para se manter em forma e leva-nos a bom porto num projecto escrito pelo próprio que está inteligentemente dividido em capítulos complementares. Ainda que “Young Ones” seja um pouco lento e deixe a impressão que teria sido melhor noutra década - uma em que o cinema não fosse um bem de consumo imediato - o seu toque tecnológico avivará muitos dos espectadores ensonados. Não ficará na memória, mas o visionamento não será tempo perdido.

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