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Crítica a "Interstellar"

el  domingo, 28 dezembro 2014 16:30 Escrito por 

Não é um filme sobre a exploração do espaço, é sobre a descoberta da Humanidade.

Cooper: We've always defined ourselves by the ability to overcome the impossible. And we count these moments. These moments when we dare to aim higher, to break barriers, to reach for the stars, to make the unknown known. We count these moments as our proudest achievements. But we lost all that. Or perhaps we've just forgotten that we are still pioneers. And we've barely begun. And that our greatest accomplishments cannot be behind us, because our destiny lies above us.

 

Um dos títulos cinematográficos mais comentados do ano foi “Interstellar” de Christopher Nolan. As salas esgotadas dois meses depois da estreia confirmam que a opinião pública tem sido favorável e que o realizador voltou a conseguir surpreender. A discussão não parece estar na qualidade do filme, mas na sua mensagem e nos riscos que tomou para a transmitir.
Não estamos perante o vulgar filme de exploração espacial ou sequer de ficção-científica. “Interstellar” trata o tema da Humanidade de uma forma como se banalizou há várias décadas na literatura, mas poucos filmes tentaram na altura devida. Fazê-lo no século XXI apenas para passar a mensagem seria desnecessário, mas quando se nota as prioridades da nossa civilização, não custa recordar o básico.


É verdade que, não sendo um fã de Nolan, admiro imenso o seu trabalho em “Inception”, em especial do ponto de vista narrativo, mas também visual. Depois de ver “Interstellar”, parece que aquilo que então era o apogeu da técnica, serviu apenas como prelúdio, uma mera brincadeira de algo que seria acessório neste novo projecto e portanto teria de ser experimentado antes para não causar impacto de novidade. As histórias cruzadas, o brincar com as leis da Física, tudo isso pode complicar o visionamento de um espectador destreinado. Se esses “adereços” impossíveis de ignorar pelos olhos forem tornados na marca do cineasta, quando reaparecem já não chocam nem distraem a mente. Em “Interstellar” essas coisas são um nada no meio de vários temas e visuais arrebatadores e que obrigam a fixar o olhar e a mente para compreender.


A história começa numa quinta americana igual a muitas outras que vimos ao longo de gerações. Só que esta não é no nosso tempo. É num futuro próximo onde a tecnologia deixou de evoluir e a natureza começou a atacar o Homem. Cooper é um desses agricultores, mas é também um engenheiro e um ex-piloto. Os filhos são as duas faces dele. O filho sai mais ao lado do trabalhador da terra, a filha ao lado do aventureiro e curioso. A sua vida ia o melhor possível dadas as circunstâncias, até ao dia em que uma tempestade de pó revela um segredo. Para qualquer outro agricultor, seria apenas mais pó, mas para alguém que saiba interpretar o codigo, é um sinal impossível de ignorar. E será o ponto de partida para a maior aventura da Humanidade, a corrida derradeira para evitar a extinção.

Vamos começar com as perguntas difíceis.
O que é preciso para perceber o filme? Um pouco de Física ajudava. Uma ou duas cadeiras universitárias na área bastam para conseguir perceber todos os termos usados. Se não souberem de Física, mais uma vez podem cair no erro de quebrar a concentração a tentar interpretar o que não é preciso. Não o façam. Vejam apenas o filme. Ter um curso em Física ou Astrofísica é demasiado pois começam a reparar em erros óbvios como as fórmulas usadas sem qualquer relação. Se vierem da área da criptografia, informática, náutica ou algo que obrigue a saber codificar mensagens, perdoem o erro crasso no final. Não sabem o que fazem. Nâo se percam a sobre-analisar o que não foi feito para isso. Nâo é uma palestra para expor novas teorias, é um filme de ficção.
Quem deve ver este filme? Quem gostar de desafios mentais do ponto de vista científico, lógico, ético e filosófico. Quem adora conflitos entre a emoção e a razão. Quem gosta de discutir o que é a Humanidade e os conceitos de sobrevivência do indivíduo, da sua prole e do seu património genético. Quem se quer colocar perante um desafio hipotético de escolha entre o menor dos dois males.
Quando não se deve ver o filme? Se tiverem alguém querido longe e sem data para regressar, se tiveram um ano de más colheitas, ou se estiverem a ser assombrados por entidades paranormais, pode ser mais complicado manterem a distância emocional. Mas diria que a emoção é desejada por isso podem correr esse risco. Quanto a filmes que se deve ver muito antes como referência, mas que se deve evitar quando próximo, falaria dos inegáveis “2001” e ”Contacto” por beber muito dessas fontes (até o actor) sobre tentativas de contacto com outras entidades. Também pode parecer parecido em alguns detalhes com filmes recentes como “Oblivion”, “Gravity” e “Elysium”. Se acharem semelhante a filmes além destes, então são presença habitual no género e não se pode fazer nada quanto a isso. Fora da ficção-científica já não se nota tanto essa repetição, ainda que o tom agreste do filme na Terra faça lembrar outros trabalhos de Chastain com Nichols e Malick entre outros.

Muito tem sido comentado sobre a meia hora final do filme ser desnecessária. Ser uma repetição do óbvio. Para quem lá chegou sozinho, sim, é uma repetição do que já se sabia. Para quem não chegou, pode confundir mais do que ajudou. Mas há mais do que uma mera confirmação dos factos. Há toda uma nova mensagem a ser passada. A narativa perde algum do sentido, é um pouco mais segmentada, talvez porque a própria mente do espectador deve estar a juntar ainda peças enquanto se debate com muitas ideias e dilemas entretanto surgidos. O filme não podia ser compacto sem ter a atenção pelo que apenas dispara ideias e emoções ao calhas na esperança que algumas delas cheguem ao destino. Abandonar uma pessoa a meio do processo seria deitar muito do trabalho fora, assim há um período de descanso, sem relevância para o filme, mas de aconchego para o coração enquanto o cérebro processa o que já viu.

Será um belo filme a rever quando a humanidade se voltar a deparar com o problema. Teremos conhecimento para o plano A ou estômago para o plano B? Talvez os japoneses nos possam ensinar. É curioso como nem são referidos ao longo do filme.

Espero que os admiradores da trilogia Batman percebam, mas porque perdeu Nolan tempo a adaptar comics até perderem o nexo, quando nos podia estar a dar pérolas destas?

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