Scifiworld

Crítica a "Filth"

el  domingo, 12 outubro 2014 17:00 Escrito por 

Sexo sempre, somos escoceses.




Se em tempos ouvíamos “No sex please, we're British”, nesta obra feita por escoceses sobre escoceses é quase o oposto. O sexo parece ser a causa de tudo e o objectivo de todos. Ou talvez só pareça assim porque o ponto de vista que nos é mostrado é o de um indivíduo diferente dos demais e que se considera superior a todos.

Bruce Robertson: Escócia. Esta nação trouxe ao mundo televisão, a máquina a vapor, golfe, whisky, penicillina, e claro, a extra-frita barra de Mars. É fantástico ser Escocês. Somos uma raça especialmente bem sucedida.

A Escócia pode ter perdido a batalha pela independência, mas como se anuncia assim logo no início do filme, o povo que nos trouxe inventos tão populares, é uma raça especial. O que se traduz, obviamente, num sentido de humor também muito sui generis. Talvez que “Filth” nos relembre de outras glórias da comédia vulgarmente designada de britânica como “Hot Fuzz”, “Sightseers” ou as séries de televisão onde este discutível sentido de humor tem um sucesso estrondoso. “Filth” não tem o lastro cultural e a verve sarcástica dos Monty Python, mas marca uma bem-sucedida tentativa de fazer um estilo de humor próprio. Pois como vamos confirmar aqui, a Escócia tem um humor mais trabalhado que os vizinhos.

Com um elenco muito escocês, mas com alguns intrusos ingleses de nível (Jamie Bell, Eddie Marsan, Imogen Poots, Jim Broadbent) e contando com um empurrão decisivo da presença de James McAvoy - num registo que faz recordar êxitos recentes como “Wanted” e “Transe” – este filme facilmente ultrapassará as fronteiras escocesas. Neste novo filme narrado pelo próprio, McAvoy interpreta um polícia que compete contra alguns colegas por uma promoção para a qual não considera ninguém mais digno. As suas armas são a relação especial com o chefe por pertencer à mesma loja maçónica, a influência entre os pares pela sua posição sindical onde assume a defesa dos interesses das minorias (que apenas ele agride), e a completa indiferença pelo mal que causa aos outros. Ele precisa dessa promoção para recuperar a sua mulher troféu, mas isso não o impede de ir tendo sexo com as mulheres dos outros. É esse o rival que vai guiar todos os candidatos numa investigação muito estranha para a qual a mulher pode dar uma valiosa contribuição.

Para os que gostam de decidir ver um filme em função de referências cinéfilas reconhecíveis, poderíamos dizer que o seu argumentista é o grande Irvine Welsh de “Trainspotting”. Este “Filth” aproxima-se de “Polícia Sem Lei” pela obsessão do nosso vilão em ser promovido na hierarquia da polícia ou de “American Psycho” pela fachada de rectidão que esconde um temperamento psicótico. Mas isto são meras referências, insuficientes para abordar um filme inteligente, complexo, louco e divertido, onde o sexo acaba por ser a dimensão principal e o poder acaba por ter uma função afrodisíaca.

Uma curiosa perspectiva sobre os meandros do poder e os jogos de bastidores, que mostra o pior da Escócia sem a tornar menos apelativa. Cada terra tem os seus loucos e o escocês é fascinante.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2020 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos