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Crítica a "Coherence"

el  segunda, 08 setembro 2014 14:00 Escrito por 

Para pensar mais tarde.

Coherence” tem feito um percurso de luxo pelos festivais. Os prémios em Sitges e Amsterdão são a parte visível de dezenas de festivais por onde passou. O seu tema é um pouco delicado. Em parte é um drama social sobre amizade, relações, discussões e perdões, mas o seu foco essencial está em brincar com as existências simultâneas que a física quântica trouxe para cima da mesa para complicar a nossa pacata vida. Talvez o exemplo mais parecido seja “Primer” (que há dez anos causou um burburinho semelhante) mas com a vantagem de, por um lado, fazer sentido, e por outro, entrar de forma muito suave no tema, dando tempo para se mastigar o que nos querem fazer engolir.

Oito amigos juntam-se para jantar numa noite que tem algo de místico. Um cometa vai passar próximo da Terra. Enquanto para os comuns mortais isso é uma mera curiosidade, para os cientistas parece haver algo mais. Esta noite tem mesmo algo de especial. Os amigos a única coisa que sabem é que estão a acontecer coisas estranhas, como o vidro do telemóvel rachar a meio de uma conversa. não sabem que as suas vidas estão prestes a seguir vários rumos aparentemente normais, mas como desfechos imprevisíveis.

O problema deste estilo de filmes é que não se pode adiantar demasiado na sinopse para não se estragar a experiência de quem vai ver. Mas não fará mal adiantar um pouco do processo de trabalho. Foi gravado em cinco noites. Os actores não sabiam o que ia ser feito. Foram-lhes dadas personagens com nomes iguais (ou quase) aos seus e alguns traços da personalidade e estado de espírito para o dia de gravação.E depois, foram colocando os gatilhos para o que se iria passar e filmando o que resultava.
Por aqui percebe-se que as localizações são reduzidas. O elenco idem. O fundamental estava em jogar com o que está na cabeça de cada um e nas interacções entre deles. O resto, é palha. Muito do que foi filmado deve ter sido deitado fora. Ainda sobrou muito que servirá apenas para apresentar as personagens ao espectador, mas que, assim que a confusão começa, é deixado para segundo plano.

É difícil ver o filme sem começar a divagar sobre as implicações do que está a ser feito. Quais as verdadeiras consequências dos nossos pequenos gestos? Qual o significado do ser e da existência? Não sendo um filme cativante de início, a verdade é que entra na nossa mente e coloca lá algumas sementes que, horas, dias, ou meses depois, despontarão.
Mete os paradoxos temporais de "Chronocrimenes” num bolso se estivermos com disposição para aceitar as teorias que nos são apresentadas. Mas será que conseguiremos voltar a viver da mesma forma sabendo isto? Este é um daqueles casos em que não há volta a dar. Vendo  o filme estão a arriscar o vosso conforto existencial. Um bom trabalho de James Ward Byrkit que conseguiu fazer algo partindo de uma premissa muito simples e nos engana com uma sinopse ambígua para que não fujamos de um filme exigente.

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