Scifiworld

Crítica a "The Shape of Water"

el  quinta, 25 janeiro 2018 16:00 Escrito por 

Como usar a receita dos prémios para ser premiado.

Depois daqueles recentes anos em que Cuarón e Iñarritú dominaram os Oscares, não é de surpreender que o terceiro dos “Tres Amigos” mexicanos tente a sua sorte. Afinal, nos últimos anos roubaram-lhe a possibilidade de fazer “A Bela e o Monstro”, retiraram-lhe o seu “Hellboy” (tantas semelhanças que aqui encontramos) e os filmes que conseguiu levar até ao fim foram fracassos económicos. O produtor mais activo de Hollywood, uma máquina de descobrir talentos e genuinamente boa pessoa e amante de cinema, cansou-se de esperar e surge como mais do que favorito em várias das categorias. Finalmente!

É sabido que há alguns truques que nos colocam no topo das preferências para conseguir vencer prémios no mundo do cinema. Fazer filmes sobre cinema, sobre pessoas com deficiências, sobre épocas específicas, pegar em temas actuais como a descriminação e o isolamento… Pois del Toro reuniu tudo e surge como um dos grandes favoritos aos Oscares, depois de ter convencido em Veneza e em várias Guildas ao longo destas semanas. A história fala de uma mulher muda que trabalha na limpeza de um edifício governamental onde se desenvolvem experiências para ganhar a Guerra Fria. Um dia trazem uma criatura aquática estranha com a qual vai iniciar uma espécie de relacionamento secreto assente na música. Essa mulher adora assistir a musicais, vive sobre uma sala de cinema que exibe clássicos para cadeiras quase vazias, tem como vizinho um velho solitário e a única amizade no trabalho é uma negra muito senhora do seu nariz. Depois existem agentes secretos, agentes duplos, russos, judeus, o sonho americano de comer uma tarte fora de casa e uma criatura que não gosta de ser tratada como um peixe no tanque e como cobaia na mesa de laboratório. Ao som de músicas provenientes de todo o globo, “The Shape of Water” leva-nos numa viagem pelo sentido da audição, enquanto a sua fotografia a fazer lembrar “Le Fabuleux Destin de Amélie Poulain” recorda que é um misto de sonho e realismo mágico. A narrativa tem um pacote completo, combinando aventura, intriga, romance e muitos sonhos.

No elenco Sally Hawkins, Richard Jenkins, Michael Shannon e Octavia Spencer entre outros, trazem aquele equilíbrio raro de esbanjarem talento sem serem vedetas com salários exorbitantes. A criatura anfíbia é o nosso velho conhecido Doug Jones (Abe Sapien, Fauno, The Ancient e quase todas as outras criaturas do imaginário de Del Toro) que em 2017 fez um total de 12 produções, mantendo a média anual numa incrível dezena. São talentos assim que nos levam a imaginação para novos territórios e é surpreendente como Jones arranja, ano após ano, novas personagens para encarnar. No caso particular da filmografia de Del Toro começam a ficar todas semelhantes, mas ainda assim é fora do comum. Já era tempo de lhe darem um Oscar.

Quanto ao filme e a manipulação óbvia feita aos espectadores, só desilude quem for com expectativas. Foi um ano fraco e o filme de del Toro é dos melhores do ano, mas isso não faz com que seja dos melhores trabalhos do mexicano. Ainda assim, é melhor do que a maioria do cinema que é feito e cumpre o que era pedido pelos fãs de longa data – algo diferente e que nenhum outro realizador ousasse dirigir – e tem imensas mensagens escondidas que segundos e terceiros visionamentos ajudarão a descobrir.

Certamente levará várias estatuetas nesta edição redonda dos prémios máximos da Academia onde apenas “3 Billboards” tem argumentos contra.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos