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Crítica a "Bushwick"

el  terça, 24 outubro 2017 09:00 Escrito por 

Como misturar duas histórias sem ser semelhante a nenhuma.

Descrever este filme a potenciais interessados é complicado. Há duas perspectivas não demasiado reveladoras que podem ser usadas. "Bushwick" pode ser uma versão moderna do Capuchinho Vermelho. Era uma vez uma rapariga vestida de vermelho que queria visitar a avó. Para isso entrou no metro com o seu namorado e saiu em Bushwick, onde a morte espreita a cada esquina. Ajudada por um homem que estava no local certo à hora certa, fará a sua odisseia até casa da avó. Ou "Bushwick" pode ser um remake de "Red Dawn". Uma nova-iorquina vê-se envolvida numa guerra inesperada em plena Nova Iorque. Não sabem quem luta contra quem, mas civis caem mortos por todo o lado e só os gangues têm armas suficientes para se defenderem desta ameaça inesperada. Em ambos os casos Bushwick é o filme certo para esta era em que vivemos. Um presente em que discutem questões como o direito ao porte de arma por civis, em que regiões clamam independência por estarem desalinhadas com o governo central, em que o fantasma de uma guerra urbana por terroristas assombra os pacíficos habitantes das metrópoles que há vinte anos nunca pensariam em tal cenário. "Bushwick" é uma hipérbole de tudo o que Trump exponenciou e uma realidade que alerta para situações preocupantes do mundo corporativo em que vivemos.

Com uns ousados planos-sequência desde o início e que parecem não ter fim – serão talvez uns três cortes óbvios e uns cinco disfarçados - é uma história contada em tempo real que segue uma estrutura mais adequada a videojogo do que a cinema. A violência também é bem real e entre armas de fogo, granadas e lutas corpo a corpo, para não referir outros aspectos menos bons da espécie humana, vemos vários tipos de sofrimento e de mortes. É o surrealismo de uma batalha urbana e tudo o que isso tem de ilógico para a nossa memória colectiva. Já devíamos ser mais evoluídos do que isso! Todavia, tal como num videojogo, a violência é o objectivo principal e só com um enorme exagero se pode mostrar como é ridícula.

Apesar de nomes no elenco como Brittany Snow (Pitch Perfect) e Dave Bautista (Guardians of the Galaxy, Blade Runner 2049), é uma pequena produção que ombreia com muitos blockbusters. Com um ritmo frenético e alguma criatividade para manter a sequência, “Bushwick” é uma obra competente que tinha boas intenções de acordo com a apresentação feita pelo realizador em Sitges. Não as transmitiu todas em tela, mas acredita piamente ser mais do realmente é. No fundo é uma visão mais realista do sentimento de ser novaiorquino que o cinema nos injecta há décadas. Pode ser muito bonito dar as mãos e enfrentar fantasmas gigantes ou ameaças extraterrestres, mas se aparecer um batalhão de homens treinados e armados, quantos se vão expor para defender a sua pátria, a sua cidade e o seu bairro? Esta é a visão nua e crua do que sucederia e não é bonito de se ver.

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