Scifiworld

Crítica a "Marrowbone"

el  domingo, 22 outubro 2017 19:30 Escrito por 

Quando as elevadas expectativas são correspondidas.

Um filme que se apresenta como sendo do argumentista de “El Orfanato” e “Lo Imposible” tem sobre os ombros uma enorme responsabilidade. Até porque J. A. Bayona se juntou à estreia na realização do seu argumentista favorito como produtor e Sergio G. Sánchez não desiludiu.

Em “Marrowbone” (o título espanhol é “El Secreto de Marrowbone”) somos apresentados a uma mãe e os seus quatro filhos. Acabaram de se mudar para a propriedade de família Marrowbone e decidem começar uma vida nova, sob o mesmo nome. Mas a mãe está doente e acaba por falecer. Se quiserem continuar juntos, o quarteto terá de se manter discreto até que o mais velho atinja os 21 anos e possa assumir o papel de guardião dos mais novos. A propriedade é muito isolada e, tirando as compras ocasionais, só falam com a vizinha Allie pelo que até seria possível manterem o segredo. Até que um advogado metediço surge e pode estragar tudo. Aguentará aquela família nova crise? Estará algum dos seus segredos a salvo? Os ruídos nas paredes serão o seu animal de estimação, um fantasma ou um humano bem vivo?

Desde a primeira cena que somos transportados para uma outra época. A atmosfera de terror que vimos em “El Orfanato” está de volta e sabemos que a história terá mais voltas do que aquelas com que o cérebro gostaria de lidar. A primeira é quase imediata e dá o tom para o resto da trama. Depois a tensão vai simplesmente acumulando, tanto entre os irmãos enclausurados como com os elementos exteriores. A data desejada está próxima, mas ou o segredo ou eles não durarão até lá.

Existem situações que fazem recordar os irmãos de Narnia, tanto pela relação entre eles como pela magia que os rodeia ou mesmo os animais que habitam a casa. Mas não é um filme para crianças. O terror e a violência marcam presença desde cedo e os segredos que vão sendo revelados podem incomodar os estômagos mais sensíveis. O grande twist não é uma surpresa assim que surge como única hipótese de explicação do que está a acontecer no ecrã, mas mesmo assim as peripécias que conduzem até lá são de visionamento agradável e muito bem realizadas.

No elenco está a cada vez mais incontornável Anna Taylor-Joy (The Witch, Morgan e Split), George McKay (Captain Fantastic), Charlie Heaton (Jonathan de Stranger Things), Mia Goth (A Cure for Wellness) e Matthew Stagg. São uma geração promissora e oferecem-nos desempenhos convincentes, ainda que Heaton tenha uma personagem muito estereotipada e Goth tenha uma personagem propositadamente apagada. McKay assume o protagonismo e leva o filme a ombros por muito tempo sem precisar de ajuda. Kyle Soller está muito bem no papel de oponente, com uma personagem complexa e composta por várias camadas. O argumento era exigente para todos eles e ao longo de quase duas horas ficamos presos pelas desaventuras dos Marrowbone num filme muito competente em todas as partes. Não é uma obra-prima, mas não desilude.

Uma nota ainda para a fotografia de Xavi Giménez que já trabalhou com Jaume Balagueró, Alejandro Amenábar, Brad Anderson, Rodrigo Cortés, Nacho Cerdá e Paco Plaza, entre muitos outros, e aqui justifica os créditos, num balanço entre interior e exterior que poucos conseguiriam equilibrar.

Veremos o que Bayona faz a solo no seu Jurassic World, mas, por enquanto, Sánchez está-se a sair muito bem por conta própria e confirma que o cinema espanhol ainda tem algumas cartas a dar no fantástico.

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

 

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2019 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos