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Crítica a "Brawl in Cell Block 99"

el  sábado, 21 outubro 2017 15:40 Escrito por 

Quando o título é um spoiler.

Se o título de um filme diz que vai haver briga num bloco de celas, não será novidade que alguém vai preso e vai causar desacatos. Vindo tal obra do argumentista de “Bone Tomahawk” (western com canibais) e “The Incident” (revolta numa prisão com utensílios de cozinha) sabemos que a violência não vai faltar.

A trama começa com Bradley Thomas (Vince Vaughn) a perder o emprego. Ao chegar a casa as notícias também não são as melhores e decide mudar de vida, voltando para o crime. O seu tamanho, força e astúcia ajudam-no a subir na hierarquia, mas quando um golpe corre mal, é capturado e tem de cumprir tempo de prisão. Claro que apenas isso seria fácil, pelo que é incumbido de uma missão suicida. Tem de chegar ao bloco 99, recinto onde estão os piores dos piores.

O primeiro pensamento de quem olhar para o elenco será se Vaughn tem o perfil para ser um rufia. Já o vimos a fazer drama com sucesso, mas o habitual é fazer comédia. Tinha a mesma ideia, mas vê-lo ao vivo antes do filme fez-me mudar de ideias. Ainda é maior do que parece no filme e como no ano passado entrevistei Dolph Lundgren, acho que estou habilitado a dizer o que é um indivíduo grande. O seu Bradley transmite uma estranha aura de tranquilidade. O crime não foi uma opção fácil. Não é violento e não quer fazer ninguém sofrer. Simplesmente não arranjou mais nada que lhe permitisse sustentar a família. Seja nas ruas ou nas prisões, Bradley é sempre correcto e respeita mais os seus ideais do que as regras dos outros. O seu objectivo é voltar para casa. Uma interpretação muito convincente em especial por ser fora da zona de conforto. Nos papéis secundários Don Johnson, está impecável, o enorme Udo Kier é desperdiçado e Jennifer Carpenter parece ter recuado uma década para estar a fazer este tipo de personagem. É um filme feito para um só actor e tudo o resto são acessórios.

Quanto ao filme, para uma história tão simples demora demasiado. Em parte por ter um ritmo mais lento do que se esperaria de um filme de acção, mas também por entrar em alguns detalhes desnecessários. Tirando isso é outra obra de arte de S. Craig Zahler, que nos continua a oferecer filmes fora do que se esperaria de Hollywood. Se fosse coreano, toda esta violência e desejo de vingança de um homem tornado mau pela sociedade seriam normais, mas os filmes dos EUA não são assim. É uma experiência completamente inesperada e que, visto em festival, obriga a fazer uma pausa para pensar no que se acabou de ver. Infelizmente tem algumas cenas pouco credíveis (como a destruição do carro) e algumas gaffes (como cadáveres que desaparecem), mas qualquer filme em que desfaçam cabeças apenas com as mãos merce que se perdoe os erros.

Zahler continua a fazer um cinema único e cada vez mais mediático. Esperemos que não seja como o anterior que demorou um ano a estrear em Portugal.

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