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Crítica a "My Friend Dahmer"

el  quarta, 18 outubro 2017 11:00 Escrito por 

Cada história tem um início.

Existem alguns ditos com muita sabedoria e dizer que tudo tem de começar por algum lado, parece muito adequado. Cada história de vida começa em algum momento e isso aplica-se a todos, incluindo assassinos psicopatas. O cinema e a televisão sempre se fascinaram com as origens de mentes perturbadas como ainda recentemente confirmámos com “Bates Motel”, mas outras artes também quiseram explorar esse nicho e uns comics contaram a juventude de Jeffrey Dahmer. Sendo um dos mais fascinantes casos clínicos com Ed Gein (quem inspirou Leatherface e Hannibal Lecter) e John Wayne Gacy (quem deu má fama aos palhaços), não era de surpreender que fosse levado ao cinema. Dahmer era um jovem diferente e que foi dando todos os sinais de se vir a tornar um problema.

Jeff não se enquadrava no secundário. Não participava em actividades de equipa, não tinha muitos amigos e passava o seu tempo a analisar cadáveres de animais. No início do último ano causa balbúrdia na escola com uma interpretação socialmente desadequada e um grupo de outros desajustados elege-o como líder desejando fazer algo irreverente que marque o ano. Entre eles estava Derf Backderf que faz vários desenhos do seu ídolo e se viria a tornar o autor de “My Friend Dahmer”. Apoiado pelo clube de fãs e perturbado pelos pais (que também não eram muito normais), Jeff vai desenvolver o seu lado negro.

O problema dos filmes quando se sabe como acabam, é que as surpresas são todas circunstanciais. Sabendo quem será Dahmer, é fácil reconhecer os sinais em Jeff. No filme assumem isso e reforçam os pontos certos. Com uma narrativa cronológica desse ano lectivo, nem é preciso juntar os pontos. Talvez os psicanalistas agradeçam a documentação disponível sobre este caso que passou despercebido, mas para o espectador comum não é a perspectiva mais interessante. Usando o máximo de insinuações e sem nunca mostrar crimes, é a visão mais ligeira possível de como uma vida dá para o torto sem que reparem. Esta reconstituição dos anos 70 debruça-se levemente em vários detalhes desta vida sem exageros. Acaba por ser demasiado superficial, demasiado monótona, mas ao mesmo tempo é fascinante. Era um desafio fazer algo diferente, especialmente na parte mais entediante de uma vida repleta de histórias, mas Marc Meyers consegue salvar o filme, jogando com as referências aos desenhos que viriam a inspirar o argumento.

Entre os actores o destaque óbvio seria o músico e estrela Disney Ross Lynch que faz de Jeff e tem um papel dentro do papel, quase fazendo o filme sozinho. Na sua equipa de apoio Alex Wolff mereceu o papel mais importante (Derf) e tem um bom momento. Referência ainda para os pais, interpretados por uma quase irreconhecível Anne Heche e um bem identificável Dallas Roberts que cada vez faz mais coisas no terror. Com estes dois ficamos muito bem servidos e dão credibilidade a personagens muito estranhas que justificam aquilo em que Jeffrey se tornou.

Não sendo um thriller no sentido convencional, é uma forma diferente de conhecer o que está por trás de uma mente perturbada. Tem um efeito diferente dos filmes de terror e destoa em festivais de género, mas faz todo o sentido estar presente.

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