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Crítica a "Happy Death Day"

el  segunda, 16 outubro 2017 17:10 Escrito por 

Porque os filmes sobre repetições não chegam sós.

Já estreou em Portugal uma das propostas mais divertidas de Sitges. Tem uma miúda gira, festas universitárias, intriga, assassinatos, e… repetições do dia. Sim, tal como no filme falado há minutos, também aqui temos uma protagonista que teima em repetir um dia em particular. Só que este dia é duplamente especial. Por um lado é o seu aniversário. Por outro, é o dia em que é morta. Num frustrante ciclo infinito.

Filme de terror que comece com o logótipo da Blumhouse, merece logo uma atenção especial. Esta produtora tem sido responsável pela revitalização do terror nos últimos anos e tanto descobrem Mike Flanagan como apoiam James Wan ou ressuscitam Shyamalan, pelo meio lançam os fenómenos “Paranormal Activity” e “The Purge” ou a surpresa “Get Out” e o oscarizado “Whiplash”. Não é bem terror, mas anda perto que baste. Nesta sua mais recente produção estreada, apoiaram o realizador Christopher Landon, argumentista de “Disturbia” e de parte da saga “Paranormal Activity” e realizador de “Scouts Guide to the Zombie Apocalypse” entre outros. Landon tinha em mãos uma história de Scott Lobdell (argumentista dos comics X-Men) que não tinha como alvo ser um fenómeno, mas destronou a sequela de Blade Runner que tinha apenas uma semana.

A história é sobre Tree, uma estudante universitária que perdeu a mãe e no dia de aniversário faz de tudo para evitar estar com o pai e recordar esse vazio. Acorda na cama errada, ignora a companheira de quarto, o amante e os pretendentes, chega tarde às aulas e passa o dia ocupada com uma série de trivialidades típicas da idade. À noite, quando se dirigia para uma festa, é atacada e assassinada por um mascarado. No dia seguinte acorda e decide seguir outro caminho, mas não tem mais sorte. Até que tenta partilhar o seu problema e lhe dizem o óbvio: se tens vidas infinitas, porque não espias e excluis um a um quem te quer matar? E assim Tree dedica-se a seguir a longa lista de pessoas que não gostam dela e vai morrendo aos poucos. É raro fazerem filmes de terror com humor como deve ser, "Tragedy Girls" foi dos poucos casos recentes que funcionou minimamente, mas é um nicho com muito potencial. A evolução que vemos de Tree até conseguir o dia perfeito é sublime e passa de ser uma pretensiosa para ser alguém por quem qualquer um se apaixonaria. As pequenas diferenças em relação ao habitual nestes filmes são originais (ainda que sejam esquecidas demasiado depressa, na reencarnação seguinte a serem explicadas) e o twist é tão bom como a referência final. Por pouco fazia-nos esquecer que não era um slasher.

Um filme que sabe o seu lugar e o aproveita ao máximo, sem exageros em nenhum dos mundos que invade e reconhecendo o que se fez antes ao invés de o ignorar convenientemente. Não só é uma recomendação para os amantes do slasher, é uma recomendação para os amantes de comédias e romances. Não é comum conseguir reunir esses universos. E se calhar por isso é que está a ter resultados tão bons na bilheteira. Rezemos para que Hollywood não ache que isso é a nova moda e nos invada de clones duvidosos. Funcionou uma vez por ser original, não por ser “um novo tipo de cinema e aquilo que os jovens querem ver”. Por vezes há dificuldades em distinguir as duas coisas.

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