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Crítica a "It"

el  quarta, 20 setembro 2017 22:00 Escrito por 

Pennywise está de volta.

Há filmes que dispensam a publicidade. Esta nova versão de “It” tem o actual recorde de visualizações do trailer em 24 horas, tendo superado as marcas anteriores de “Furious 8”, “Thor 3” e diversas sequelas/remakes. Quando sai um filme inspirado em algo anterior, o público já sabe ao que vai e as vendas estão quase garantidas. Por isso é que os estúdios tanto apostam na falta de originalidade. Mas uma coisa é fazer uma sequela para um filme com menos de cinco anos ou um remake de um filme cm o qual crescemos. Outra bem diferente é ir buscar um filme de terror com vinte anos e ter garantidos milhões de bilhetes. Foi isso que Andy Muschietti conseguiu desde o primeiro momento: fãs que não tinham lido o livro, não tinham visto o filme original, mas queriam muito ver esta nova adaptação de Stephen King. O único inconveniente disso – como das sequelas – são as expectativas. As pessoas chegam confiantes que vão ver algo grandioso, que justifica a espera, e depois se for mediano… haverá sangue. Quando o filme estreou, muitos outros recordes caíram por terra. Melhor estreia de um filme de terror, melhor estreia de Setembro, máximo de salas para um filme de terror, segundo melhor resultado para um filme com classificação R (Deadpool no topo) e ao fim de três dias era já a segunda mais lucrativa adaptação de King, o que diz muito pois o mestre tem mais de quarenta filmes estreados.

Esta é uma história passada nos anos 80 como muitas outras que já vimos e que crescemos a ver. Um grupo de crianças começa a desconfiar que o número recorde de desaparecimentos na sua terra não é um azar ou coincidência e vai investigar o que se passa. Ao perceberem que todos viram uma coisa, vão definir um plano para combaterem aquilo, um ser imortal que tem dizimado crianças de forma regular e sem sobreviventes para testemunhar.

A primeira cena do filme, com Georgie a construir um barco, consegue logo a empatia. E quando vemos Pennywise com os seus dentinhos, o nível de terror fica muito bem definido. A partir daí é construída a história do grupo de jovens, cada um com os seus complicados problemas individuais, mas todos com um problema maior em mãos. Ainda que o terror não seja um elemento presente, somos transportados para uma era em que os filmes que nos diziam algo eram todo assim. The Goonies, E.T., Stand By Me, The Breakfast Club… eram sempre grupos de miúdos que transformavam um momento de convívio em algo maior que lhes definirá a vida. Essa sensação foi sendo copiada em vários filmes e séries ao longo dos tempos, mas só quando chegou “Stranger Things” houve a tal sensação de viagem no tempo generalizada. Os anos 80 estavam de volta. Em “It” temos essa mesma viagem de trinta anos. O regresso a uma época familiar torna o filme confortável. Isso combinado com o ser uma história conhecida, faz com que o terror seja pouco eficaz. Há boas cenas de terror espalhadas pelo filme, mas nunca chega a passar o limiar entre a acção e o horror.

Com uma grande produção, atenta aos detalhes, o filme surpreende pela qualidade de fotografia, som e ângulos escolhidos. Todavia, o maior trunfo é o excelente casting. O grupo de crianças tem enorme empatia e nos seus estereótipos dá-nos grandes personagens. Funcionam em conjunto o que é difícil de conseguir em grupos desta dimensão. Contra eles está um palhaço desumanizado e um grupo de adolescentes ainda mais assustadores. A narrativa avança de forma incrivelmente rápida até um desfecho como manda as regras que nos deixa sedentos pela sequela. De forma resumida, é um trabalho muito competente de Andy Mushietti que entra pela porta maior no mainstream, ainda que tenha fugido ao que se esperaria de um filme de terror. Por um lado, é diferente, a comédia é muito agradável e chega a um público maior. Mas por outro, é uma pequena traição a quem esperava ver este clássico chegar ao grande ecrã. Realmente chegou e pela porta grande, mas perdeu parte da identidade. Talvez na sequela atinja todo o seu potencial.

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