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Crítica a "Miss Peregrine's Home for Peculiar Children"

el  sábado, 12 novembro 2016 11:40 Escrito por 

Numa era em que os filmes de super-heróis abundam, a chegada de uma história sobre jovens peculiares pode não ter muito de especial. Mas o lote de peculiares de Miss Peregrine não tem heróis que lutam para salvar o mundo. São apenas crianças e adolescentes que tentam viver felizes durante uma guerra mundial e com uma segunda enorme ameaça a pairar sobre eles. A sua aventura vai ter repercussões no século XXI onde Jacob, investigando o passado misterioso do avô, viaja até Gales para descobrir as peças que faltam nas histórias que ouviu durante anos e nas quais nunca acreditou. Uma ilha com menos de cem habitantes reserva imensas surpresas para ele e o que vai descobrir será muito mais do que imaginava. Será o seu primeiro passo rumo a uma aventura que tem lugar um pouco por todo o mundo e em várias épocas. Quem tiver lido o livro achará esta descrição um pouco vaga, mas, da forma que o filme está estruturado, é o que se pode dizer sem estragar a surpresa demasiado cedo.

Sempre que um realizador encontra o seu estilo próprio, há um grande risco de ficar obcecado por ele e se tornar algo pior do que monótono: desadequado. Por vezes é preciso fugir ao que se conhece e explorar o que pode ser mais adequado ao projecto, mesmo que só tenham sido contratados por terem o estilo perfeito para o filme. E Tim Burton é dos poucos que consegue conciliar o seu estilo com o que o filme precisa. Em “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children” Burton está de volta aos filmes quase infantis, junta-lhe uma aura de épica história familiar como em “Big Fish”, mas no resto é bastante diferente do que se esperaria. Vai buscar um toque dos clássicos ambientados na Segunda Guerra Mundial, conseguindo nunca perder o toque de contemporaneidade exigido (o possível, atendendo à ruralidade do local). E tem os monstros que Burton adora, mantendo o terror em níveis quase adequados para crianças, mas sempre muito intenso e com acção e emoção que cheguem para todos os públicos.

No elenco a sempre incrível Eva Green surge num tipo de papel que não lhe é normal e começa a consolidar e justificar o estatuto de nova estrela favorita do realizador. E Asa Butterfield consegue mais uma vez levar o filme aos ombros muito facilmente, tal como tem sido habitual nos seus trabalhos. Com eles está um elenco de luxo com Judy Dench, Samuel Jackson, Terence Stamp, Allison Janney e um cameo de Rupert Everett, uma mistura que soa invulgar ainda que não transpareça no ecrã. A parte mais jovem do elenco chega como uma surpresa. Ainda que dois tenham já uma boa carteira de títulos - Ella Purnell (Intruders, Kick Ass 2, Maleficent) e Milo Parker (Robot Overlords, Mr. Holmes) –todos os outros (Finlay MacMillan, Lauren McCrostie, Hayden Keeler-Stone, Georgia Pemberton, Raffiella Chapman, Pixie Davies) poderiam ser complicados para gerir e no entanto Burton consegue criar um grupo funcional e heterogéneo, que tão depressa são crianças assustadas como heróis imparáveis. É complicado gerir equipas grandes sem comprometer a história ou confundir protagonismos, mas em “Miss Peregrine’s” o equilíbrio está bem conseguido, não é perfeito, mas só se esquecem de uma pessoa e isso não é fácil. A resposta a isso é fácil: o argumento saiu das mãos de Jane Goldman que, nunca tendo sido colaboradora de Burton, ajudou Matthew Vaughn em títulos como “Stardust”, Kingsman e o recomeço dos X-Men. Sabe trabalhar com o fantástico, com o que é britânico e com jovens fora do comum. E tem das viagens no tempo mais complexas e compreensíveis dos últimos anos.

Mesmo sendo um filme competente e que se pode ver variadas vezes sem cansar, “Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children” não é um filme que fique na memória à primeira e já nada do que mostra tem a capacidade de chocar ou surpreender. Mas o seu potencial de continuação é imenso e não estranharia se além das adaptações para os restantes dois volumes decidissem fazer uma série.

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