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Crítica a "Colossal"

el  domingo, 09 outubro 2016 22:00 Escrito por 

não é sobre esse tipo de monstro.

O que se passa com os monstros gigantes que deixam todos malucos? Entre 2015 e 2017 assistimos ao regresso de Cloverfield, de Jurassic Park, de Godzilla e brevemente de King Kong, e se recuarmos a 2013 temos a originalidade de Pacific Rim, mas nada se assemelha com o que verão em “Colossal”. Por uns momentos esqueçam a destruição em massa vinda da ficção-científica na distante Ásia e vejam o lado mais humano desta história. É apenas uma rapariga em busca de si mesma que volta a casa numa pequena povoação americana e se vai reintegrando no mundo que deixou. Um simples drama indie com alguns momentos de humor como tantos outros vindos dos EUA. Só que este tem Anne Hathaway pelo que não deve ser descartado como uma qualquer pequena produção, e é realizado por Nacho Vigalondo e portanto, terá algo de fantástico. Mas tirando isso, continua a ser uma história simples sobre uma jovem em busca de um rumo.

Tudo começa com Anne Hathaway. Depois de várias performances inesquecíveis e personagens que virão a fazer parte da história do cinema, Hathaway começava a parecer uma super-estrela. Até que fez “The Intern” onde mostrou que estava a subir na vida, mas ainda era tão capaz de interpretar personagens fortes e confiantes como o completo oposto. Aqui, com uma equipa bem mais pequena do que o habitual, vemo-la voltar a ser a small town girl que regressa a casa após um completo fracasso a lidar com a vida na cidade. Gloria tem um problema com a bebida. Isso causa problemas com o namorado. E devido ao seu problema em arranjar um emprego, não lhe resta nenhuma alternativa a não ser voltar para a casa que os pais têm vazia na terra onde nasceu. Por acaso no primeiro dia que lá passa cruza-se com Oscar, um amigo do tempo de infância que tem um bar. Como o problema de Gloria com a bebida não é a incapacidade de beber, facilmente se adapta ao grupo de amigos de Oscar e passa a noite a beber e a conversar com eles. No dia seguinte é acordada com um telefonema fora do comum: um monstro arrasou parte de Seoul. O tema de conversa é igual em todo o mundo e o bar de Oscar não é excepção. Todavia Gloria repara numa coisa que ninguém mais poderia reparar e isso vai mudar o seu lugar no mundo, ainda que não melhore em nada o seu lugar na pequena comunidade.

É importante ser assim vago pois o filme em certa medida é muito simples e pode ser contado em meia dúzia de frases pelo que não quero entrar em spoilers, mas ao mesmo tempo tem mensagens inquietantes que só passam bem com o visionamento. As ideias de Nacho Vigalondo são sempre loucas, normalmente simples, e por vezes arriscadas, mas nem sempre funcionam e aqui voltam a funcionar. Em poucas palavras “Colossal” é o seu melhor filme desde “Los Cronocrímenes” Ainda tem alguns pontos mal explicados, mas é só numa parte de muita intensidade na trama e passarão despercebidos à maioria pelo que não será motivo para evitar o filme.

Com poucos efeitos e um monstro algo simpático, não é necessariamente uma sessão virada para o público de FC em particular ou mesmo do fantástico no geral. Hathaway ao lado de Jason Sudeikis, Dan Stevens e Tim Blake Nelson dão-nos um bom filme que teve diversos problemas legais dentro do género kaiju, precisamente porque achou que o monstro sendo uma personagem bastante secundária se manteria longe do género (e portanto longe dos conhecedores) e poderia ser menos criativo no visual do monstro para se focar no resto. Correu mal, mas agora parece estar resolvido. Sobra portanto o filme sobre uma mulher que parte em busca de um rumo e além de descobrir a sua identidade descobre a sua verdadeira força. E não teve de ser feminista para o fazer.

Um filme desconcertante para quem chega com expectativas que agradará a muita gente e deixará outros ofendidos por não ter atingido todo o seu potencial entre os dois mundos onde se movia. Talvez o final tenha sido abrupto, mas a mensagem principal estava entregue e era conveniente fechar o canal por onde tinha sido enviada. O filme cumpre bem o seu papel e ainda que não seja memorável, é um visionamento de referência entre as obras deste ano.

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