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Crítica a "The Conjuring 2"

el  terça, 07 junho 2016 13:00 Escrito por 

O regresso do toque mágico de James Wan.

Realizadores há muitos e no terror todos os anos surgem centenas de filmes de aspirantes a serem a próxima sensação. Os estúdios apostam neles na expectativa de terem em mãos a próxima saga Friday the 13th, Elm Street, Amityville, Texas Chainsaw Massacre, The Exorcist, Hellraiser, Halloween, Children of the Corn, Scream, Blair Witch, Saw, Paranormal Activity…, ou seja, um filme de muito baixo orçamento capaz de fazer centenas de milhões. Mas a verdade é que esses títulos raramente dão origem a uma saga ou revelam um cineasta consistente no género. Nem todos podem ser um Craven, um Hooper ou um Carpenter. O último mestre com cartas dadas em múltiplas obras é James Wan que depois de um inesquecível Saw nos trouxe, Insidious, Conjuring e várias outras produções sem sequelas. Wan tinha o toque de Midas e qualquer filme que dirigisse ou produzisse estava destinado ao sucesso. Quando anunciou que se ia retirar do terror, o mundo tremou e Wan foi convencido a regressar para o segundo caso dos Warren após o desaire da prequela “Annabelle”. Em boa hora o fez pois enquanto a boneca no filme por conta própria perdeu todo o encanto que pudesse ter, o casal maravilha mantém o seu.


Para ver “The Conjuring 2” é preferível rever o primeiro. As histórias estão interligadas e os três anos que passaram entre filmes facilitam o esquecimento. Resumindo, Ed e Lorraine são um casal feliz atormentado por demónios inimagináveis. As suas capacidades invulgares e o facto de poucos acreditarem neles fez com que se juntassem profissional e afectivamente e são o maior aliado da Igreja na luta contra o Mal. Ed está acostumado ao mal pois foi militar e polícia, e agora é demonólogo/exorcista. Lorraine é clarividente e médium e pressente vários seres malignos. A sua casa é um museu de objectos com poderes perigosos que devem ser cuidadosamente vigiados.


Este segundo caso fílmico é precedido pelo episódio que lhes deu mais mediatismo. Uma tal casa assombrada em Amityville. Lorraine volta a sentir-se fragilizada pelas assombrações do mal em estado puro e convence Warren a não aceitarem mais casos. Mas mais uma vez a Igreja precisa deles. Uma família em Enfeld, Londres, está a ser atormentada por um poltergeist que ficou gravado em vídeo. A Igreja não se pode envolver oficialmente antes de ter a certeza que é real e por isso pede aos Warren para investigarem a situação e para os chamarem se for real. Incapazes de recusarem ajuda a quem é atacado pelo sobrenatural, partem para a Europa apenas para observarem.


O grande elemento que distingue Wan dos outros realizadores é a forma como equilibra dois géneros com facilidade. Se no primeiro a história familiar do casal nos dava uma ilusão de normalidade enquanto umas simples palmas nos davam os arrepios máximos da década, neste segundo consegue ir ainda mais longe. Os Warren são mostrados como humanos normais, frágeis e com muitos medos e o mal consegue ter cenas consecutivas muito arrepiantes. Não atinge o grau de novidade dos exorcismos que vimos em 3D em “The Conjuring”, mas os leves efeitos especiais para revelar e esconder o monstro de cenários aparentemente menos assustadores chegam para manter os nervos à flor da pele. Na antestreia mundial – em Madrid, no festival Nocturna – membros do público reagiram mal a isso gritando de susto por duas ou três vezes quando era suposto serem apenas as personagens a entrarem em pânico. O filme cresce de forma muito consistente, jogando com o medo e a dúvida de forma incrível, permitindo que tudo o que é clara acção sobrenatural para os fãs do terror, seja dúbio, para que se acredite que pode ser uma farsa. No final a sensação dominante não é de medo nem de calma, é de confiança nas pessoas e nos sentimentos. Porque se há algo em que se pode confiar é na bondade de pessoas como os Warren.


Num ano de muita polémica com o elenco feminino dos Ghostbusters, Vera Farmiga prova que uma mulher consegue ser o maior inimigo dos mortos e dos demónios. Patrick Wilson, canta e encanta. Na altura do primeiro filme o factor revolucionário foi o exorcismo a três dimensões pela casa. Neste segundo é a tranquilidade das personagens que mantêm o ambiente familiar, mesmo quando confrontados com um ser sobrenatural aterrorizador. Era tão fácil isso descarrilar em algo completamente foleiro... “The Conjuring 2” não chega ao patamar do primeiro capítulo – era complicado - mas está bem acima da maior parte dos filmes de terror que veremos este ano.

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