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Crítica a "Kung Fu Panda 3"

el  quinta, 17 março 2016 08:00 Escrito por 

É tudo uma questão de chi.

Dois meses depois da estreia americana, mas muito adequadamente deixado para o Dia do Pai, “Kung Fu Panda 3” é um filme para ver com o progenitor. No primeiro filme Po tem de dominar o kung fu e convencer os cinco mestres que pode ser melhor do que eles, ajudando-os numa missão relativamente fácil. É uma comédia divertida e tem a célebre música Kung Fu Fighting que torna tudo melhor pelo que foi um sucesso imediato. Três anos passaram e veio a inevitável sequela. É o que espera os filmes infantis com lucro... Aqui a aventura era maior, o inimigo tinha um exército enorme e o filme não foi tão bem sucedido. Para o terceiro a receita não poderia ser muito original pelo que Po vai redescobrir as suas origens e, dando o dito no segundo filme por não dito, aparecem mais pandas, começando pelo pai que Po nunca conheceu. O seu pai adoptivo, o ganso Ping não fica nada contente e decide acompanhar o seu nada indefeso filho nessa nova aventura. Mas entretanto Oogway, a tartaruga que tinha passado para o mundo dos espíritos, recebe a visita de um velho inimigo. Kai pretende extrair o Chi de todos os mestres para ir atrás do maior de todos: o Guerreiro Dragão. Claro que Po, mais uma vez, está à nora com a missão que Shifu lhe confiou antes de se reformar (ser o novo instrutor), pelo que ter um temível inimigo com um exército de mestres acaba por ser um bom escape da perigosa rotina. Conseguirá o mestre mais incompetente de que há memória voltar ao papel de aluno para se tornar num mestre de Chi antes de Kai destruir a China?

O filme desenrola-se de forma muito rápida e eficaz. Mesmo numa história que tem pouco de criativa e onde grande parte do elenco vocal estelar trazido desde o primeiro filme parece desperdiçado, sempre podemos apreciar as adições de Bryan Cranston e J. K. Simmons. Além disso os imprevistos que acontecem a Po são capazes de arrancar gargalhadas a qualquer um e a lição sobre identidade que ele tem primeiro de aprender para depois poder ensinar é profunda.

Este maior intervalo entre filmes (cinco anos) para o público jovem pode ter passado depressa com tantas vezes que reviram. Para quem estiver numa idade mais avançada e só vê cada filme de animação uma vez (e é quando leva os filhos ao cinema) a pouca bagagem que se traga na memória chega perfeitamente. Nada mudou. O pouco que é preciso saber é explicado ao longo do filme de forma subtil e sem desperdício de tempo.

A terceira e derradeira parte desta aventura, que agora não tem mesmo mais por onde seguir, é quase uma afirmação do estilo Dreamworks. Não é que falte público para filmes animados e haja concorrência, mas tendo chegado já tarde para se afirmar num mundo dominado pela Disney há gerações, e tendo sido rapidamente ultrapassada pela Pixar, o objectivo deste estúdio seria deixar uma marca e ter um estilo único. Parecem ter conseguido com este equilíbrio consistente entre o humor e a acção, e várias morais que não estão sequer disfarçadas. Só falta mais um pouco para que as sequelas sejam tão apelativas como os originais, mas pelo que temos assistido isso é uma arte que ninguém domina.

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