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Darren Aronofsky traz-nos um épico bíblico.

Cecil B. DeMille  dizia “Give me any two pages of the Bible and I’ll give you a picture”. Se é verdade que qualquer clássico pode ser adaptado sem pagar direitos de autor, a verdade é que nenhum trará tantos curiosos como uma adaptação da Bíblia. Personagens icónicas tanto do lado do Bem como do Mal, magia, imensas mortes e sexo, é o livro ideal para levar ao cinema. E se nem todos têm a ousadia e orçamento para a adaptação completa, há imensas histórias autónomas que podem ser feitas sem prejuízo do todo. O melhor de tudo, é que apesar de conhecerem o livro pelo nome, poucos realmente o leram e portanto permite alguma liberdade criativa.


Dizer que Darren Aronofsky estava obcecado com a adaptação desta história em particular pode ser um exagero. Digamos apenas que a estudou profundamente desde a infância. Talvez acreditar que seria a sua obra mais cuidada, assim como os excelentes trabalhos anteriores, tenham colocado a fasquia demasiado elevada. Afinal de contas, desta vez não era um dos maiores realizadores vivos em acção. Era apenas um rapaz que estava a tornar o seu sonho realidade.
Nesta sua visão tomou algumas liberdades criativas com a história, mas foi bastante fiel ao material original, dando-lhe apenas uns retoques de forma a ser mais ao agrado do público. A lenda de Noé e da Arca, se pensarmos bem, não é muito bonita. É uma história de castigo, morte e destruição, escondida sob uma mensagem de esperança e renascimento. Aronofsky foi aos detalhes e trouxe-nos aquela maldade profunda que levou a Humanidade a tal castigo, mostrou-nos de forma muito gráfica toda a morte das cheias e em particular o peso das acções nos ombros de um só homem, o responsável pela futuro da vida no planeta, o progenitor de toda a humanidade.

Quem pensar que a maior dificuldade seria agradar ao Cristianismo está bem enganado. Esse foi o passo mais fácil. O filme foi proibido em países muçulmanos ainda antes de estar feito devido ao tema, mas entre os cristãos foi aceite como obra fiel às escrituras. Claro que teve a subtileza de usar o Criacionismo como metáfora do Evolucionismo, combinando um pouco de ambos para não ferir susceptibilidades de nenhum lado.

Noah” é uma obra com uma estrutura completa. Conta a sua história enquanto entretém e faz pensar no tema. Por vezes é demasiado fantasiosa, mas é de notar que não há nenhum Deus ex machina surpreendente. Deus já tinha colocado as suas peças em posição muito antes, preparando o caminho para que Noé pudesse usar o livre arbítrio sem distracções. Não é um filme que permaneça na memória ou o filme definitivo sobre Noé, é um filme competente que deixa um enorme travo a desilusão, em especial pela coincidência nos actores (os oscarizados Russell Crowe e Jennifer Connelly de “A Beautiful Mind”, tal como Emma Watson e Logan Lerman do sucesso recente “The Perks of Being a Wallflower”) que eram obrigados a mais química.


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