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Crítica a "Crimson Peak"

el  terça, 20 outubro 2015 07:00 Escrito por 

Poe encontra-se com Del Toro.

Com uma ou outra resenha ainda pendente do recentemente finalizado Festival de Sitges, fazemos um pequeno desvio para falar da estreia terrorífica da semana, Crimson Peak. O regresso de Guillermo Del Toro ao seu amado terror resulta numa experiência mais do que satisfatória.

Como consequência de uma tragédia familiar, uma jovem escritora é incapaz de escolher entre o seu amor de infância e a tentação que representa um misterioso desconhecido. Numa tentativa de escapar aos fantasmas do passado, encontra-se perante uma casa que respira, sangra... e recorda.

O que encontramos nesta mais recente longa-metragem do mexicano é um elegante conto gótico, ambientado na época victoriana que se alimenta sem disfarces da obra de Edgar Alan Poe e bebe da criatividade visual de Terence Fisher e dos brilhantes filmes da Hammer. A trama quase é o menos importante, um argumento que parece que se vai enredar mas que finalmente revela uma história que está quase à mercê de um desenho de produção perfeito assim como da arte (onde não faltam os candelabros e as teias como era de esperar) e a polida fotografia, algo que já acontecia com outros filmes de fantasmas de calibre similar como A Mulher de Negro ou a mesmíssima El Espinazo del Diablo, ainda que talvez em Crimson se esqueça menos a violência do que nas mencionadas.

Cada momento é quase mais hipnótico que o anterior e cada sequência está filmada de maneira mais brilhante do que a precedente, em especial as que são na caótica mansão Allerdale Hall, onde decorações e adereços se fundem com o ambiente decadente que o filme emana para criar uma combinação à qual só faltaria adicionar um ingrediente para o seu correcto funcionamento: os personagens. Aqui também nada a apontar ao filme, o casting foi muito acertado mas Tom Hiddleston dá a sensação de esvanecer com o passar dos minutos e Mia Wasikowska que estanca passando o meio, ressurge no épico final. Mas quem se tornará inesquecível será Jessica Chastain, que dá vida a uma personagem cruel, fria e calculista a tal ponto que dá mais medo ela do que os próprios fantasmas. Jonathan Hyde tem um pequeno papel, quase um cameo, um tipo que acreditava ter visto morrer nos noventa.

Del Toro sabe manejar até à perfeição este elenco e coordená-lo com a elegância visual do filme e com o amplo leque de temas importantes que aborda - tais como o amor, a economia, a desgraça, as presenças do além e os seus avisos ou as classes sociais entre outros - volta a criar um filme que ficará no inconsciente colectivo e adiciona uma nova galáxia ao seu particular universo de fantasia.

Macabra e impressionante fita que inunda de nostalgia e goticismo todos e cada um dos seus fotogramas. Este é o Guillermo que todos adoramos.

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