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Crítica a "Tales of Halloween"

el  sexta, 11 setembro 2015 08:00 Escrito por 

a antologia da década.

Nada é mais difícil de organizar do que uma antologia de histórias autónomas, mas conexas. Quando as histórias estão fortemente ligadas, o argumento é uno e tudo o que acontece vem do mesmo sítio, havendo simplesmente diferentes perspectivas para diferentes segmentos. Normalmente até é sempre o mesmo realizador, como no caso de “Creepshow” ou o televisivo “Dead of Night”. Em alguns casos subvertem um pouco as regra e é um actor que liga as histórias, seja mantendo a personagem como Tim Roth em “4 Rooms”, ou em personagens diferentes como Karen Black em “Trilogy of Horror”. Quando as histórias são completamente independentes (casos de “ABC’s of Death” e “V/H/S” onde apenas é dada uma norma) a liberdade é quase total e esse aglomerado de retalhos estilo Frankenstein provavelmente vai ser muito estranho. O segredo está em conseguir reunir um lote de estrelas que torne o produto apelativo, e estilos de cinemas que não sejam demasiado contrastantes. Pois isto é um regresso ao nosso querido “Body Bags” (onde Hooper e Caprenter dirigiam e Craven, Raimi e Corman faziam cameos) ou mesmo “Twilight Zone” (Spielberg, Landis, Dante, Miller). Um grupo de cineastas com diferentes backgrounds reuniu-se sob a batuta da actriz/realizadora/produtora Axelle Carolyn para nos darem vários filminhos diferentes, que se combinam num novo filme de culto para as noites de Halloween.

Tales of Halloween” não é apenas um filme. É o produto de uma forte amizade com vários anos e que transcende o cinema. É um trabalho conjunto de amigos adultos que celebram o Halloween como se fossem crianças. E nós autorizamos com muito gosto, pois ao terror que nos deram ao longo dos anos, é óbvio que adoram assustar toda a gente. Chamam-se (muito adequadamente) The October Society e, a partir deste momento, estão coroados como os novos reis do Halloween, um título que decerto não se importam de partilhar.

Com um total de dez histórias que cobrem um largo espectro de géneros, desde as lendas urbanas ao slasher, passando pelos demónios, diabretes e vizinhos zangados, temos terror, comédia, destruição e caos. Mas o melhor para os fãs do género está nos actores que farão qualquer fã delirar. Em destaque temos Barry Bostwick a liderar um espectáculo de um diabinho. Temos Pollyanna McIntosh a ser novamente louca num filme de Lucky McKee. Temos vários cameos de luxo como Mick Garris, Stuart Gordon, Joe Dante e John Landis que, com meia dúzia de frases, tem o melhor papel do filme no que viria a ser o último trabalho de Ben Woolf.

Fazendo sinopses pouco reveladoras, é disto que tratam as histórias (não estão ordenadas pela sequência que são vistas, mas pelo apelido dos autores, como a lista adoptada na promoção do filme):

The Night Billy Raised Hell" (Darren Lynn Bousman) é sobre um rapaz que vai aprender o que é o verdadeiro terror de Halloween.

"Grimm Grinning Ghost" (Axelle Carolyn ) é um exercício de suspense que brinca com os clichés do terror sobrenatural para nos assustar.

Trick" (Adam Gierasch) apresenta-nos um grupo de crianças assustadoras nos seus disfarces festivos.

This Means War" (Andrew Kasch, John Skipp) é sobre a importância da tradição e o conflito de gerações levado ao extremo. De todas as curtas, é a que mostra mais devoção pelo Halloween e ironicamente a que menos usa o fantástico.

"Bad Seed" (Neil Marshall) é a única a falar das sorridentes abóboras que costumam dar o mote para estes filmes. Parece uma curta de Halloween à moda antiga, mas dá-lhe um toque de modernidade.

"Ding Dong" (Lucky McKee) é sobre um casal que não pode ter filhos e como reagem às crianças que lhes desfilam à porta. Reinventa a definição de bruxa.

"Friday the 31st" (Mike Mendez) é talvez a melhor curta do pacote, consegue ao mesmo tempo ser fiel ao tradicional e desafiar todas as regras.

"Sweet Tooth" (Dave Parker) é uma tradicional lenda de Halloween levada ao extremo. Muito ao estilo das antologias de antigamente.

"The Ransom of Rusty Rex" (Ryan Schifrin) é muito divertida e também faz lembrar algumas daquelas velhas curtas de terror juvenil que víamos há muitos anos.

"The Weak and the Wicked" (Paul Solet) tem uma boa produção e leva a bom porto uma história que parecia não ir dar em nada.

Histórias aparentemente isoladas e que têm como única regra acontecerem na noite de Halloween numa terra nunca identificada, acabaram por se revelar um lote variado, mas agradável de contos de terror. Passaram oito anos desde “Trick’r’Treat”, estava na hora de outro filme nos fazer recordar porque adoramos o final de Outubro. Estão autorizados a repetir a dose.

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