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Crítica a "The Invitation"

el  quarta, 09 setembro 2015 12:00 Escrito por 

Um jantar tranquilo com muitas emoções fortes.

O cinema independente americano tem-se aventurado de forma confiante pelos meandros do terror e do thriller, dando-nos obras que normalmente temos oportunidade de ver no MOTELx, onde podemos referir “Cheap Thrills” (2013) ou “Coherence” (2014). Este ano essa categoria está muito bem representada por “The Invitation” de Karin Kusama, realizadora que já vimos em “Aeon Flux” e “Jennifer’s Body” e veremos muito brevemente na antologia de primeiras damas do terror “XX”.


The Invitation” começa como um qualquer drama, com Will e Kira, um casal que conduz na estrada a caminho de uma festa organizada pela ex-mulher dele, Eden. A situação constrangedora não melhor à chegada pois além dos muitos amigos de longa data que também estão presentes, deparam-se com alguns convidados da nova vida de Eden. Enquanto Will vai apresentando a namorada aos amigos e tentam fazer conversa de circunstância, a situação vai ficando muito desconfortável. Aquele Eden não tem nada a ver com a mulher que conheceram e é óbvio que o acidente que causou a separação do casal continua a assombrá-los. Só que enquanto Will admite o problema, Eden disfarça-o mal e o atrito vai aumentando com o avançar do convívio, à medida que o álcool e o tempo desinibem os convivas. Estará Eden louco ou apenas deprimida? Terão as suspeitas de Will fundamento ou está traumatizado e é incapaz de confiar?
Com um ritmo lento e muito diferente do terror imediato que temos sido acostumados a ver, “The Invitation” é uma proposta diferente. Para o ver é preciso estar tranquilo, não ter traumas por resolver, e aguentar hora e meia de um jantar problemático, mas que nada tem de terror além das acusações paranóicas de Will que vão sendo rebatidas uma a uma sempre que são apresentadas.  Com um elenco sem nomes sonantes, mas muitos rostos conhecidos, é um filme que vive das interpretações pois está assente de forma muito segura numa rede de personagens que vão ganhando e perdendo protagonismo de forma casual e fluída, como numa qualquer reunião de amigos. A situação é estranha, mas nunca deixa de parecer um jantar normal e coberto de tensão.


Quando chegamos à sobremesa e o último mistério cai, trazendo o fim da tensão e do suspense, o filme entra noutro registo e, se um espectador estiver no estado letárgico dos comensais, terá uma experiência diferente da que terá aquele que duvidou até ao fim. Quando um filme consegue causar reacções diferentes em pessoas diferentes a sua tarefa está concluída.
Não será um título que devam recomendar aos amigos, em especial se os quiserem alguma vez convidar para jantar, mas o seu visionamento é uma experiência agradável. E se duvidam da capacidade de funcionar como terror, relembrem que foi premiado pela crítica especializada no NIFFF deste ano.

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