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Crítica a "Yakuza Apocalypse"

el  quarta, 09 setembro 2015 09:00 Escrito por 

Duas palavras: Yakuzas e vampiros.

Takashi Miike até pode ser o realizador mais activo do mundo conhecido, mas as dificuldades em conseguir financiamento já se fazem sentir. Este seu "Yakuza Apocalypse" por um lado é tão revolucionário e irreverente como sempre esperamos do cineasta, mas por outro mostra uma faceta que nunca se imaginou: não tem todo o dinheiro que precisa para fazer os filmes que quer e como quer. Assim terá sempre de escolher entre o menor dos dois males, e como se pode comprovar aqui, fica perdido.

O filme começa como uma vulgar história de yakuzas - tema sobre o qual Miike terá sempre um contributo único a dar - que lentamente se torna também numa louca história de vampiros - tema sobre o qual Miike pode fazer filmes à vontade pois adoraremos qualquer visão transgressora que queira dar a este monstro tão clássico. Durante grande parte do filme vamos vendo o que acontece a Kageyama, um jovem membro da família criminosa que herda uma responsabilidade secundária do velho líder Kamiura. Só que a morte do respeitado chefe não foi devido à idade ou acidente. Foi porque está a começar o confronto entre mortais e imortais e o mais temido dos inimigos aproxima-se da cidade para eliminar todos os vampiros que não se juntaram à causa. Kageyama quer respeitar o seu mestre, mas o que estará disposto a fazer, e até onde está disposto a ir, para defender os humanos?

A história de guerra dentro do clã, o mistério construído com várias camadas narrativas, as personagens mistério que vão surgindo, tudo isso é Miike. A vingança em escalada até à violência quase gratuita por personagens estranhas e deveras singulares em cenas bem coreografadas também. Até tem o coreografo/duplo/actor de “The Raid”, Yayan “Mad Dog” Ruhian . Mas depois de uma estrutura tão bem montada, o desfecho tinha obrigatoriamente de ser memorável e aquele inimigo final – o “boss” – é único, é memorável, e arruina o filme completamente. Pode apenas ser interpretado como um grito de um cineasta que precisava de mais dinheiro para fazer o filme que queria e, numa época em que os CGI dominam o mundo dos efeitos, tentou fazer algo diferente. É ousado e percebemos a mensagem, mas destoa tão completamente que se torna ridículo. Por isso “Yakuza Apocalypse” não será um filme que se recorde algumas semanas depois. O que tem de singular é tão gritante que não é levado a sério, e entre os imensos filmes que fez, não é aquele que se quererá recordar por vários motivos.

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