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Crítica a "Scherzo Diabolico"

el  quarta, 09 setembro 2015 08:00 Escrito por 

por muitos apontado como um filme ao estilo dos Coen, "Scherzo Diabolico" acaba por não ser tão bom como podia.

Com cerca de vinte trabalhos creditados com o seu nome, seja como realizador ou argumentista, de curtas ou longas, Adrián García Bogliano parece continuar à procura de um lugar a que chamar casa e mudou-se para o México para este filme depois dos primeiros grandes sucessos, na Argentina com “Sudor Frío” (2010) e pouco depois nos EUA com “Late Phases” (2014).

O México tem sido muito mediatizado pelos realizadores levados para Hollywood - como os dois últimos vencedores de Oscar - mas o cinema que eles fazem nos EUA não é um cinema mexicano. Da mesmo forma Bogliano também teve de se adaptar à cultura local para nos dar um produto mais mexicano do que argentino. Parece ter conseguido, pois este estilo de situação é plausível acontecer no México, mas não se associa à imagem que temos da Argentina.


Este seu novo projecto é uma comédia negra sobre Aram, um homem que é explorado por todos e procura refúgio na música clássica. Lentamente vamos descobrindo que Aram não é quem parece por trás daquele ar simpático e bonacheirão e na verdade esconde vários segredos inconfessáveis. Afinal talvez ele não seja tão boa pessoa como pensávamos. E a doce música não parece acalmar a fera prestes a explodir.
O ar típico de “Scherzo Diabolico” agradará a quem gosta de cinema internacional, e as constantes discussões domésticas por trabalhar demasiado por um salário miserável, decerto causarão empatia pela personagem em muita gente. A diferença está no facto de Adam ter um plano em marcha para resolver todos os seus problemas. Enquanto os outros só se queixam, Aram vai treinando pequenas coisas para o seu grande plano. É um empreendedor capaz de fazer pela vida e estuda minuciosamente cada detalhe para que tudo corre de forma perfeita. Não se pode dar ao luxo de falhar.


Uma ideia com muito potencial e filmada de forma despretensiosa, dá o mote para um filme que se vai vendo bem e que surpreende quanto baste. O pior é que o grande plano de Aram não era assim tão grande - apesar de ser brilhante – e tem algumas falhas que se virão a revelar problemáticas para a narrativa. Porque a mudança para um tom mais sério retira o espaço para usar o humor, e o filme, despido dos acessórios que escondiam fraquezas, está indefeso aos olhares mais críticos. Respeita as regras do thriller e dá-lhe alguma novidade, mas perde-se no meio da intenção e não deixa marca. Por isso é uma boa escolha para ver num festival. Permite conhecer um cinema diferente, permite fazer uma pausa entre títulos mais fortes e sangrentos, mas não nos captura a atenção depois de terminada a sessão, favorecendo uma rápida transição para outra sala e temática. Nâo é tão mau que incomode, mas não é suficientemente bom para se recordar.

 

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