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Crítica a "Jupiter Ascending"

el  sábado, 16 maio 2015 19:30 Escrito por 

com ideias a mais para o cenário e a menos para a história.

Os irmãos Wachowski tiveram de trabalhar muito para chegarem ao lugar onde estão hoje. Nos anos 90 ninguém os conhecia. Venderam o argumento de “Assassins” (que Richard Donner filmou) e tiveram logo uma ideia para algo diferente. Nenhum estúdio aceitaria confiar a uns novatos dinheiro para uma ideia mirabolante e por isso fizeram o filme de culto “Bound” e conseguiram ter os olhos de Hollywood neles. Daí passarma facilmente para o seu projecto especial, uma coisa chamada “Matrix” que desafiou a concepção do Cinema e os tornou figuras incontornáveis da sétima arte. A parti daí, fizeram o que quiseram. Começaram por tornar o eficaz “Matrix” numa trilogia com uma série de animação associada e a partir daí as opiniões começaram a dividir-se. Uns ainda os achavam geniais, os outros achavam que tinham tido sorte num ou dois filmes e agora estavam a enganar toda a gente. Os anos foram passando e entre os filmes de culto - produziram a adaptação de “V for Vendetta” - e os fracassos - “Speed Racer” - não havia um meio termo, apenas amor ou ódio. Com “Cloud Atlas” ganhou força uma terceira corrente, onde se dizia que eram artistas incompreendidos. “Jupiter Ascending” era a obra para tirar teimas. Ousadamente apresentada como primeira parte de uma trilogia, os resultados de bilheteira parecem dizer o contrário. O projecto Jupiter parece ter morrido à nascença.

Esta é uma história de dimensão astronómica e bem ao gosto dos irmãos. Tão dispersa no espaço como “Cloud Atlas” foi no tempo, tão violenta como o episódio final de “Matrix”, tão movimentada como “Speed Racer”. Apostou nos vilões singulares e carismáticos num esforço para convencer e concentrou tudo na imagem - na acção e nos efeitos especiais - em vez de elaborados argumentos. A narrativa acompanha Jupiter, uma jovem de origem russa que se queixa muito da vida que tem. Até que uma visita vinda do espaço a faz ver quão especial é. O resto da humanidade é que não tem identidade, não passam de gado. Jupiter não é o género de viajar. Nem sequer sabe o que significa tirar férias, mas é procurada por pessoas vinda de muito longe. Uns para a prenderem, outros para a matarem. Por sorte tem do seu lado um mercenário muito talentoso que fará tudo para a manter viva. Jupiter é demasiado humana para seu próprio bem e, com a confiança de ter alguém do seu lado, vai tentar alterar as coisas. Só que o universo conhecido não passa de uma grande farsa. Nenhum indivíduo consegue alterar o sistema implementado ou insurgir-se contra ele. A única coisa que Jupiter faz, é coleccionar mais inimigos.

A ficção-científica é dos géneros mais sujeitos a crítica. Quando a ciência apresentada é demasiado próxima, costuma ser analisada de forma muito minuciosa em busca de falhas. A única forma de escapar a isso, é sendo completamente extravagante e indo para muito longe no tempo ou no espaço. Construir um mundo diferente de tudo o que seja conhecido. Algo tão épico e grandioso, que o único termo que se aplica é space opera. “Jupiter Ascending” esteve quase lá. Falhou por se manter muito apegado à Terra. Por nunca se decidir nas quantidades de humor a aplicar à excessiva acção. E especialmente, por desencantar invenções convenientes muito tarde na história e depois as usar à exaustão, como os fatos de astronauta prontos a usar, os atravessadores de paredes...
A ambição dos cineastas até aqui era clara: queriam criar um novo universo ao nível do que nos deram em Matrix. e a verdade é que tinha potencial. A sociedade intemporal como inimigo sem rosto podia durar por muitos filmes. As tecnologias simples para voar, adormecer, vestir e tudo isso encaixaram bem no quotidiano. A ligação a outras espécies terráqueas era uma perspectiva invulgar, mas interessante. E depois esbanjam tudo isso cometendo asneiras como os vilões serem uns intriguistas descaradamente maus a mentir, ou a refinaria/centro de processamento se parecer com uma siderurgia sem que isso faça sentido. E os actores serem completamente insossos e sem química. Não fossem esses erros infantis, seria algo para ver de forma entretida e talvez o espectador se voltar a sentir como uma criança. Mas com tanta coisa sem sentido, uma criança que tenha idade suficiente para ir ver o filme, tem cabeça suficiente para saber quão mau é. Talvez melhore no próximo filme (ou que formato escolherem para acabar de contar esta história). Medindo “Jupiter” apenas por “Ascending” sabe a uma enorme desilusão.

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