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Crítica a "Taken 3"

el  domingo, 03 maio 2015 19:30 Escrito por 

Primeiro raptaram-lhe a filha. Depois a ex-mulher. Agora, Bryan Mills em pessoa é o alvo.

Algum dia teria de acabar o nicho descoberto por Luc Besson há uns anos onde Liam Neeson se torna num inesperado ícone dos filmes de acção. Nâo só Neeson aproveitou esse estatuto em vários filmes como “A Walk Among the Tombstones” e “Run All Night”, como muitos outros velhotes o imitaram nos anos seguintes (Mel Gibson voltou para “Get the Gringo”, Kevin Costner para “Three Days to Kill”, toda a saga “The Expendables”!). Este ano não será diferente e o Verão está dominado por heróis de uma certa idade. O primeiro a entrar em cena foi novamente Bryan Mills, para fechar a trilogia.

No primeiro filme, raptaram-lhe a filha na Europa. No segundo raptam-no (mais ou menos) e à mulher (efectivamente) na Turquia, uma Europa muito asiática. Agora, a acção tem lugar nos EUA e Bryan é perseguido por um crime que não cometeu e ninguém parece interessado em saber a verdade. A não ser Franck Dotzler, cuja experiência lhe diz que aquele homem não parecia estar a planear um crime, e nada indica que seja capaz de matar por impulso. Conseguirá a justiça americana apanhar um homem que sempre viveu a fugir de algo? Conseguirá a curiosidade de Dotzler superar o sentido de dever que lhe diz para antecipar os movimentos do oponente?

O início mostra outro lado da vida dos Mills. Um lado pacato, onde o carinho tem mais valor do que a adrenalina e se parecem com uma família normal. Semelhante ao que vimos quando Kim no primeiro filme vai pedir autorização ao pai para viajar para fora do país e faz uma birra ao ouvir “vou pensar nisso”. Porque nós não pagamos bilhete só para ver “a particular set of skills”. Ou se calhar até pagamos, mas o que realmente diferencia a família Mills dos outros filmes de acção, são os elos entre eles, algo que noutros filmes costuma ser menosprezado e desvaloriza completamente a componente humana. Bryan é mais do que um agente secreto que luta pelo país, ou um mercenário que o faz por dinheiro, ou um militar que combate pela honra e pelos companheiros mortos em combate. Ele luta pela única coisa que lhe importa: a família. Essa é a sua prova de integridade e é o que faz com que todos o queiram ver triunfar.
Mas esse início certeiro é sol de pouca dura. Depressa entra em modo “filme de acção” onde comete muitos erros. Ao longo do filme as cenas de acção são muitas e algumas perguntas são levantadas. Enquanto a acção tem sempre um desfecho, as perguntas ficam em aberto. E o gatilho que despoletou tudo, é talvez o ponto mais frágil de toda a narrativa. Se não tivessem mantido o mistério, quem foi ver o filme pelas cenas de acção, estaria demasiado entretido com as perseguições rotineiras para pensar nisso. Como deixam a explicação para o final - quando não há muitos mais saltos e tiros - já se pode pensar um bocado no que estão a dizer e perceber como foi tudo uma questão de sorte e não um plano elaborado por um génio do mal.

Nos pontos negativos está obviamente o continuarem a insistir num tema esgotado. Olivier Megaton regressa à saga sem a convicção da primeira sequela e abusa na procura do líquido (sangue) quando falta algo sólido. Os velhos actores já acomodados aos papéis estão em modo automático, Forest Whitaker dá alguma frescura, mas não chega para entusiasmar. Do lado positivo está o fim dos pontos pendentes e o fim da saga, pelo menos por enquanto. Foi bom enquanto durou, mas está na hora de Bryan gozar a reforma.

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