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Crítica a "Tracers"

el  domingo, 26 abril 2015 12:00 Escrito por 

aos saltos, bem altos...


Os thrillers cada vez têm menos fronteiras. Não falo da dimensão internacional, mas da facilidade com que vão buscar inspiração a outros géneros e se cruzam de forma aparentemente inócua ganhando públicos inesperados. "Tracers" é um filme sobre parkour. Isso é um nicho habitual dos filmes de acção, e ultimamente tem tido uma boa oferta, não é por aí que vende mais bilhetes. Tem bicicletas, o que é outro nicho dos filmes de acção também normalmente ignorado. Tem Taylor Lautner o que lhe pode conseguir um público de filmes mais românticos. Tem uma intriga internacional para se vender mais facilmente noutros mercados. E tem muitas armas para que não pensem que é só sobre actividades físicas radicais. Portanto, temos um híbrido de thriller com filme de acção, com romance que vai buscar um bocado a cada canto possível. E não se sai mal. O problema de "Tracers" é que usa os saltos impossíveis para colmatar falhas a nível narrativo, apostando no "encher o olho" em vez de explorar a fundo algum dos vários caminhos que abre. Das três alturas em que a acção dispara, em duas já sabemos o que vai acontecer e a terceira também se imagina. Esse vazio é o pior num argumento que é completamente banal desde o início e só não parece mal porque o filme vive da adrenalina e isso costuma desligar o cérebro a quem assiste. Ninguém espera, entrando numa sala de cinema para ver parkour, ver uma história com pés e cabeça. Só exigem saltos inacreditáveis e isso é-lhes dado de mão beijada.

Cam fazia entregas de bicicleta. Até que uma jovem aos saltos causa um acidente e lhe arruina o meio de transporte ganha-pão. Ela apeas faz o correcto e oferece-lhe uma nova bicicleta, mas ele quer agradecer esse gesto e vai andar à procura dela. Ao descobrir o parkour, e motivado pelo físico de Nikki, vai experimentar essa actividade física e o seu mérito coloca-o num grupo de elite com vários trabalhos para executar.
Entre os actores Taylor Lautner será o chamariz principal. A sua transição para os papéis de acção tem sido gradual e tem tido discernimento para fazer algo mais do que isso, apostando igualmente noutros géneros e em personagens não tão aprazíveis. Aqui é um bom rapaz com alguns azares na vida que vai ter de se evidenciar tanto física como mentalmente para sobreviver num meio onde os erros custam a vida. Contracena com Marie Avgeropoulos, um rosto ainda pouco conhecido, mas que tem entrado em diversos filmes e séries. A actriz fica sempre em segundo plano, servindo como elo de Cam ao submundo do parkour e todas as mudanças que se processam ao longo da história.

Tendo visto há uns anos o filme de estreia do realizador Daniel Benmayor, já sabia o que podia esperar de "Tracers". Com um pouco de "Premium Rush" e da adrenalina dos estafetas ciclistas, e muito parkour ao estilo do pioneiro "Banlieue 13", depressa "Tracers" entra num ritmo elevado onde acrobacias e sobrevivência se misturam. O trabalho de câmara está muito adequado aos movimentos rápidos das personagens, a fotografia e a banda sonora também. É um digno produto para o grande ecrã. Faltou algo mais sólido no argumento para que também no mercado doméstico conseguisse longevidade. Da forma que está, será esquecido numa questão de meses.

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