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Crítica a "Divergent"

el  quarta, 22 abril 2015 21:15 Escrito por 

Não é como o livro, mas disfarça bem.

A velha teimosia sobre a maior qualidade do livro em relação à adaptação o filme está longe de acabar. Seja porque a escolha dos actores não correspondeu ao que imaginávamos (estivessemos a ser fieis ao livro ou não), porque o cenário não é como gostaríamos que fosse, ou, sacrilégio máximo!, porque alteraram algo, haverá sempre algo de terrível a dizer em relação ao filme. Por vezes aparecem alguns casos em que não corre mal de todo e as críticas não se fazem ouvir. "Divergent" na primeira meia hora é um desses.


Por ter chegado tão tarde em relação às prolíferas sagas Young Adult com uma aventureira por protagonista que invadiram os cinemas nos anos recentes, "Divergent" seria sempre alvo de comparação. As expectativas estavam altas e a Summit tinha uma oportunidade dourada para se redimir das imensas críticas aos filmes anteriores. É que não só a saga "Twilight" se tornou tema de galhofa, como um competente "Ender's Game" com tudo para dar certo passou despercebido ao público. O precursor "The Hunger Games" da Lionsgate (proprietária da Summit) estava a trilhar um novo rumo e "Divergent" tinha tudo a ganhar. Até porque Shailene Woodley trazia uma legião de fãs da sua carreira na tv em "The Secret Life of the American Teenager" e da fabulosa performance em "The Descendants".
Beatrice é filha de um dos líderes dos Abnegados, a facção mais serviente desta cidade. Está a chegar o momento da escolha e Beatrice não sabe o que quer ser. Só que ao contrário do nosso mundo onde escolher um curso ou uma carreira pode significar um atraso de um ou dois anos, mas podemos sempre voltar atrás e recomeçar, neste mundo essa escolha é a final. Aos dezasseis anos decidem o que querem ser, e a única alternativa é serem um Sem Facção, os párias da sociedade. Beatrice vai ter de lidar com o facto de ser diferente, de isso ser proibido, e de a sua cidade estar no limiar de uma revolução.
Ao início a Chicago distópica que nos é apresentada confunde. A divisão em tribos com tarefas específicas é claustrofóbica, levando a que cada espectador se identifique facilmente com os Divergentes. Essa simpatia será mais útil no segundo filme, mas lá chegaremos. A história avança a bom ritmo. As personagens apresentadas são interessantes. Há alguns momentos empolgantes. Muita acção, algumas mortes, e depois... se querem mais vejam o próximo filme. Por si só parece um filme equilibrado e decente. Nem extraordinário, nem terrível, num meio termo seguro e capaz de agradar tanto aos fãs da saga como aos que lhe sejam estranhos. Não há muito a apontar, o que hoje em dia é motivo de orgulho. E financeiramente viável para levarem a saga até ao fim. Mas se estas quase duas horas vos tivessem cativado e quisessem ler os livros enquanto esperavam pelos próximos filmes, então iam ter uma grande surpresa. As diferenças são muitas e nem todas consensuais.

Veronica Roth escreveu o livro depressa e sendo muito jovem. Os retoques do editor podem ter colmatado a falta de experiência de vida da autora - atenção que para Young Adult isso não é uma desvantagem, identifica-se com a personagem e com os leitores - mas um argumentista que saiba o que o público quer ver terá sempre coisas a ajustar. Uma das melhorias foi um jogo de Captura a Bandeira onde umas "inofensivas" armas de paintball foram trocadas por armas paralisantes. Esse estilo de criatividade é bem-vindo. Pior é quando começam a interferir em coisas que moldam as personagens. Começando por esse mesmo jogo, mudam a pessoa que o ganha. Ora no livro Tris apresenta-nos o seu mundo, a família e os amigos. Compensa a sua solidão inicial falando de quem a rodeia e vai sendo menos expansiva à medida que se afasta deles. Um toque subtil que não se sente até ser tarde e estarmos alheios a tudo. No filme só temos Tris e ninguém mais se destaca pelo que mudam os protagonistas dos pequenos acontecimentos. Foi uma má escolha. A história de Quatro e o seu verdadeiro nome são escondidos até ao filme seguinte. É uma escolha. A explicação do número, nem vê-la e faz falta. Todavia, a maior falha é o capítulo 15 e um encontro importante que é omitido do filme. Enquanto no livro temos uma rapariga inocente que é alertada para algo prestes a acontecer pela mãe num local público e à vista de todos, no filme esse encontro é fortuito e clandestino. A partir daí todo o tom do filme está alterado e nada será igual.
Ler "Divergent" dá vontade de ler os outros livros e de ver os filmes. Ver "Divergent" dá vontade de ver os outros filmes e de ler os livros. A fazerem-no, deixem passar alguns meses entre ambas as experiências, só assim poderão tirar o máximo partido de ambos.

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