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Crítica a "The Voices"

el  domingo, 19 abril 2015 23:20 Escrito por 

porque é tão importante nunca perder a cabeça.

Por vezes sabe bem ver um filme tão ridículo que nos tira do sério. Dentro do fantástico e do thriller é raro fazerem incursões decentes pelo humor, por isso quando nos aparece um filme como “The Voices”, é de aproveitar. A autora de “Persepolis” e “Poulet aux Prunes” já com três filmes no currículo e vários prémios, experimenta realizar com base num argumento que não escreveu, sendo o autor o produtor/argumentista televisivo Michael R. Perry das já distantes “American Gothic” e “Millennium”. Uma combinação inesperada, mas muito interessante, começando logo pelo genérico de abertura onde vemos um gato a passear por entre o sangue de golpes acabados de fazer.

A história deste desconcertante filme acompanha Jerry, um tipo pacato que quer agradar a todos e tem uma grande paixão pela colega britânica da área financeira. O único problema é que ela não está interessada nele e não trata muito bem os elementos do sexo masculino, nem as pessoas em geral. Bem, talvez haja outro problema. É que Jerry gosta de falar com os seus animais, e por muito querido que isso seja, é um problema quando ele ouve as respostas. Sim, Jerry é um bocadinho maluco e depressa vão perceber que um maluco e um gato com tendências homicidas não são uma boa combinação. Por muito juízo que o cão tente colocar em Jerry, o humano estraga tudo.

A nível visual a ténue linha entre sanidade e loucura está bem traçada, permitindo olhar para as duas perspectivas e sentir as diferenças entre o que ele vê e o que se passa. A comédia negra tem vários extremos, e Jerry é atirado de um lado para o outro pelos acontecimentos que o controlam. O humor permite que se tente compreender esta pessoa perturbada, e a empatia causada fazem com que ouçamos a sua história antes de o julgarmos. Veremos que é uma vítima das circunstâncias e que é uma catadupa de acidentes que o colocam na terrível situação em que se encontra. Ryan Reynolds como Jerry monopoliza o espetáculo, conseguindo ser incrivelmente credível como sonso. No lado feminino do elenco Gemma Arterton consegue começar com intenso sex appeal e uma personalidade detestável, para lentamente nos fazer gostar dela e aceitar as suas falhas, percebendo porque Jerry se apaixonaria. Anna Kendrick sempre igual a ele própria, trapalhona e adorável, merecia uma personagem mais desenvolvida. Jacki Weaver está muito bem e completa o quarteto principal da trama.

O filme vai seguindo com bom ritmo, sempre divertido e a dar alimento para pensamentos, sejam no momento ou posteriores. Quando a confusão se começa a tornar incontrolável, seja para a personagem ou para a realizadora, tem um fim algo precipitado. A história principal estava contada, era chegada a hora de começar a fechar as pontas soltas. Isso é feito de forma eficaz - ainda que um pouco desenquadrado do resto - e subitamente tudo termina. Felizmente aquela pequena dose de loucura que se tornou viciante ao longo do filme está de volta para os créditos e temos direito a um inesperado e completamente fora de contexto número musical onde só falta os animais cantarem. Será um bom filme para ver ao final do dia, em especial no final de um dia ou semana de trabalho.

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