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Crítica a "The Canal"

el  domingo, 15 fevereiro 2015 11:30 Escrito por 

A velha história da casa assombrada, mas mais artístico.

Quem tem acompanhado o cinema de terror irlandês nos últimos anos, deve recordar títulos como “Wake Wood”, “Citadel” e “The Eclipse”. São filmes que rapidamente se distinguem dos feitos noutros sítios por dois motivos. O mais óbvio é o sotaque, que nos primeiros anos me obrigava a recorrer vergonhosamente às legendas, e ou desapareceu, ou já o entendo. O segundo é o rumo para um terror fora do comum, que funciona mais no interior do que nos exterior, ou seja, mexe mais com o nosso cérebro do que com os nossos olhos. Esse grande trunfo das novas cinematografias que é a originalidade (e eficácia) do terror, tem uma tendência a desaparecer e tornar-se idêntica a todas as outras quando se acabam as boas ideias e percebem que seguir o modelo americano dá mais lucro. Por sorte na Irlanda ainda não se passou isso e os filmes se género que nos vão chegando são poucos, mas autênticos e, de forma geral, bons.

 

O trabalho de Ivan Kavanagh “The Canal” pega numa história que não tem muito de novo. David e Alice são um casal. Acabam de se mudar para uma casa que parece ser perfeita. É lá que se tornam pais e a sua criança vai crescendo. Até que um dia, David, que trabalha como arquivista e tem a maravilhosa obrigação de percorrer décadas de história em película, vê um filme antigo da própria casa. Foi o local de um assassinato sangrento. Essa imagem fica-lhe gravada na cabeça deixando-o muito preocupado. É nessa mesma noite que vê um estranho vulto e a sua vida começa a desmoronar-se.

 

Inicialmente “The Canal” parece ser um filme de fantasmas e casas assombradas. A diferença é que isso não o impede de ser um filme sobre a caminhada de um homem para a loucura e de se esquecer (e nos fazer esquecer) dos fantasmas para se focar numa situação assustadora mais real. Além disso intercala o terror com momentos de homenagem à película que fazem esboçar sorrisos entre os cinéfilos. Claro que na sua homenagem ao cinema, também aproveita para repescar cenas de culto de obras marcantes do terror, mas numa época em que já vimos de tudo, uma reutilização bem feita de excelentes cenas não é das coisas mais originais que se pode pedir? Não pensem pelo que escrevo que é uma mera edição de cenas existentes. Foi tudo filmado para este trabalho e está conjugado com a história. Simplesmente foi beber um bocado de inspiração a cada fonte.

 

Com um visual forte e um bom elenco principal (a mãe e a criança não estão bem, mas todos os outros têm performances sólidas), “The Canal” consegue ser um filme com todas as vantagens do cinema independente - liberdade, originalidade - mas com uma construção narrativa e execução de fazer inveja a muita gente na indústria. Estão especialmente bem o protagonista Rupert Evans (conheci num filme que passou despercebido “The Incident”) e o trabalho de edição de Robin Hill (o mesmo de “Kill List”). O ritmo inicial pode parecer desajustado, mas depressa nos leva numa alucinante viagem de montanha-russa que por vezes parece abrandar, mas é apenas uma ilusão. Desde que começa até que acaba, os altos e baixos foram bem pensados para causar várias sensações. Não funcionará com todos os públicos, todavia funcionará muito bem com quem já tenha começado a acumular bagagem no terror e ainda procure coisas novas.

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