Scifiworld

Crítica a "Enter the Void - Viagem Alucinante"

el  quinta, 15 março 2012 11:52 Escrito por 

Chega finalmente a Portugal o novo filme de Gaspar Noé, o projecto sonho do realizador argentino que apenas foi possível devido ao sucesso do seu "filme choque" francês Irreversível. Chama-se no original Enter the Void e é datado de 2009, o que já parecia cada vez mais improvável a sua estreia nos cinemas nacionais ou em qualquer festival português. Felizmente este drama psicadélico estreia esta semana nos nossos grandes ecrãs, que é onde o filme pode ser apreciado como deve ser.

Com a sua estreia mundial no Festival de Cannes de 2009, ainda que na sua versão inacabada e com muitos efeitos especiais incompletos, o filme dividiu a critica e continuou a dividi-la no seu roteiro pelos mais diversos festivais tal como Toronto, Londres, Sundance e Sitges, onde neste último venceu na categoria de Melhor Cinematografia. O filme venceu também o grande prémio do festival de cinema fantástico Suíço de Neuchâtel, para grande honra de Gaspar Noé, já que curiosamente um dos júris era Douglas Trumbull, responsável pelos efeitos especiais de 2001: Odisseia no Espaço e Blade Runner, duas das grandes influências admitidas em Enter the Void.

E é sem dúvida na excelência das categorias técnicas onde o filme se destaca mais, porque é isto que Enter the Void é e pretende ser: uma enorme viagem psicadélica. Numa experiência visual alucinante, com drogas, muito néon e uma viagem espiritual que têm no seu final uma alusão à reencarnação, o filme é na sua maioria (à excepção dos flashbacks) seguido na primeira pessoa pela visão de Oscar, um traficante de drogas que se mudou para Tóquio onde ganhou dinheiro suficiente para poder trazer a sua irmã, Linda, para viver com ele e onde fica a ganhar a vida como stripper num clube nocturno. No primeiro acto podemos assistir a breves momentos peculiares e interessantes tal como o pestanejar dos olhos (breves flashes de ecrã preto) e sequências de alucinações devido a reacções às drogas. A partir de um certo momento, e sem querer estragar a experiência, o filme continua a seguir a visão de Oscar mas em espírito, numa experiência surreal e espiritual nunca antes visto em cinema, pelo menos não desta forma. Inspirado em vários livros sobre a vida depois da morte, principalmente a "The Tibetan Book of the Dead", que até é referenciado no filme, que crêem que os espíritos de algumas pessoa que morrem recentemente ficam a vaguear no mundo dos vivos por indeterminado tempo. A partir desse momento o filme torna-nos em "voyeurs", tudo isto misturado com flashbacks que vão elaborando o passado de Oscar e da irmã.

Como já foi referido, as influências do filme vão desde 2001: Odisseia no Espaço de Kubrick, isto para o lado mais espiritual e filosófico acerca do propósito e significado da existência humana, e para o lado mais visual: Tron e Blade Runner.Mas um dos principais filmes que inspirou Gaspar Noé foi Lady in the Lake, filme noir de 1947 de Robert Montgomery, que também é mostrado através da vista da personagem principal.

Apesar de Enter the Void tornar-se um bocado monótono em certas ocasiões, quase com necessidade de preencher tempo arrastando o seu ritmo, isto muito devido à sua longa duração de três horas, fica sobretudo na memória não só a sua experiência, mas principalmente os excepcionais flashbacks que retratam os momentos da infância de Oscar e Linda. Destaque máximo para a cena de acidente, que é excepcionalmente bem executada e que dá a força emocional ao filme, principalmente ao intenso relacionamento entre ambos. A cena em questão é uma daquelas que se assemelha a um murro no estômago.

O CGI é impressionantemente bem feito, isto porque, segundo o realizador, todas as frames levaram CGI que realmente não se nota a olho nú, e isso é realmente algo a apontar. Porque os melhores efeitos especiais são mesmo estes: aqueles que estão lá sempre e nós nem reparamos. CGI que foram da responsabilidade da companhia francesa BUF, fundada pelo mestre visual europeu Pierre Buffin, responsável pelos efeitos especiais de filmes como 2046, Fight Club, Panic Room, Silent Hill, Matrix e dos filmes de Nolan entre muitos outros.

Tal como o próprio titulo em português antevê e bem, é uma viagem alucinante. E mesmo que o amem ou odeiem, já que Enter the Void não é um filme para todos, é preciso dar crédito a Gaspar Noé pela criação de tão complexo e revolucionário trabalho.

Classificação: 8/10

E já agora, fica aqui a sequência dos créditos iniciais, que valeram os elogios de Tarantino como um dos melhores créditos de sempre.

Mídia

Powered by Jasper Roberts - Blog

Deixe um comentário

Certifique-se que coloca as informações (*) requerido onde indicado. Código HTML não é permitido.

Mais Vistos

C/ Celso Emilio Ferreiro, 2 - 4°D
36600 Vilagarcía de Arousa
Pontevedra (España)

Redacción: 653.378.415

info@scifiworld.es

Sobre Scifiworld

Copyright © 2005 - 2017 Scifiworld Entertainment - Desarrollo web: Ático I Creativos