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Crítica a "Goal of the Dead"

el  Sunday, 04 January 2015 20:30 Written by 

Todos a torcer pelos zombies.

 

Um dos títulos mais eficazes da última temporada de festivais foi “Goal of the Dead”. Que o filme tenha passado apenas por meia dúzia deles, e despercebido do público, não foi um azar, mas um reconhecimento do seu interesse reduzido.

Filmes de ficção sobre futebol costumam sofrer todos do mesmo mal. Salvo as honrosas excepções de qualidade, acreditam que basta tratar do tema do beautiful game para terem salas cheias. No fantástico não é assim tão simples. O público está acostumado a filmes maus, mas a esses exige que sejam categoricamente e declaradamente maus. Não podem tentar ser bons. Este filme não quer ser mau, quer ser um retrato social inteligente. Pelo meio esquece-se de ser sobre futebol e defrauda expectativas.

“Goal of the Dead” não é o jogo de futebol de onze que esperam ver. É sobre futebol, mas foca-se mais no outro jogo, o dos bastidores. É uma sátira aos ódios de estimação, às vedetas que regressam a uma terra que já não os quer, ao doping, aos negócios milionários feitos sem respeito pelo jogador, às carreiras que terminam por uma lesão mínima. Tudo isso e muito mais (revelar a este momento seria um grande spoiler) vai ser discutido ao longo destas duas partes. O herói da história é Sam Lorit, veterano da equipa de Paris que regressa a Caplongue, a terra onde nasceu e onde deu os primeiros toques na bola, para um jogo da taça. O seu mediatismo não é o de outrora, agora que a equipa da capital tem um prodígio africano e a sua própria versão de “o melhor jogador chinês da actualidade”. Por isso Lorit pensa no regresso como uma pré-reforma. Um reatar de velhas amizades e preparar o regresso a casa. Só que não é aguardado com bons olhos. Uma década depois ainda o vêem como um traidor por não ter marcado ao Paris na véspera da transferência e toda a Caplongue, mas em especial o velho colega Jeannot, odeia-o. Esse ódio será o combustível que despoletará o apocalipse e fará com que o jogo de futebol seja interrompido para dar lugar a um jogo de sobrevivência.

 

A primeira parte foi realizada por Benjamin Rocher que conhecemos como parte do duo de realizadores de “La Horde”, um dos fenómenos recentes do terror francês. Rocher vai construindo o cenário calmamente. Nunca é eficaz, mas não desilude e o seu humor ocasional, mas mordaz, fazem com que a espera por algo bom seja rápida.

A segunda parte foi confiada a Thierry Poiraud (parte da dupla de irmãos que nos deu há uma década "Atomik Circus”) e é um pouco mais intensa. Com zombies em campo, muitos verylights, pessoas a serem devoradas e tudo isso, é complicado fazer um filme mau. No entanto a novela francesa ganha demasiada força e Poiraud em vez de se limitar ao terror com alguma piada ocasional, tenta fazer uma história estruturada e com moral. Isso não é bem recebido por quem deseja ver sangue e tripas (e algum suor já que se fala de futebol).

Ver as duas metades em sequência é um bocado pesado até porque duram mais do que um jogo de futebol. Talvez com um intervalo para desanuviar e esquecer, facilite a digestão da segunda parte. No conjunto são um pequena seca que não agradará ao fãs do futebol, nem aos dos zombies, nem aos da comédia francesa, apesar de ter alguns momentos luminosos em que acreditamos que podia ser bom em qualquer uma dessas categorias.

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