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Crítica a "Monsters: Dark Continent"

el  Monday, 27 October 2014 06:00 Written by 

Não é bem uma sequela, os Monstros não interessam e o Continente Negro é outro.

Gareth Edwards podia ter boas intenções quando nos trouxe “Monsters” onde extraterrestres nos davam uma lição metafórica sobre a emigração ilegal na fronteira EUA/México. O único problema foi ter chegado um ano depois de os extraterrestres de “District 9” terem feito uma metáfora sobre o apartheid sul- africano. Foram demasiados extraterrestres e demasiadas metáforas em tão pouco tempo. “Monsters” era mais parado e inferior pelo que ficou relegado para segundo plano. E enquanto esperamos até hoje por uma sequela para o filme de Blomkamp, ninguém pediu tal coisa a Edwards. No entanto, foi isso que tivemos primeiro.

Mesmo que apenas quatro anos separem os dois filmes, a história por eles contada avançou dez. As personagens são diferentes. O conflito em solo caseiro correu bem e agora os americanos ajudam o resto do mundo a conseguir a liberdade. Em especial países com petróleo. O Continente Negro referido no título, ao contrário do que se possa pensar, não é África, mas o Médio Oriente. Os americanos foram para lá em busca de uma batalha e tiveram-na a dobrar. Enfrentam os invasores de outro planeta e são tratados como invasores pelos locais. Todos os querem matar e os soldados também não estão muito agradados por combaterem em duas frentes. Um grupo de soldados com uma missão urgente vai ter um encontro desagradável com ambos os oponentes num curto espaço de tempo e terão de se adaptar para sobreviverem.

Não será preciso explicar a metáfora que foi aplicada desta vez. A Guerra do Golfo e todas as que se seguiram e seguirão na região, fazem parte do nosso quotidiano. Os americanos tentam assumir um papel que não é o deles e as coisas correm mal. Isto é um retrato da degradação mental que os soldados atravessam quando lutam por um povo que não os quer lá de forma alguma, mesmo que o outro inimigo seja bem pior. O filme até começa bem se o encararmos como apenas um filme de guerra. É sensivelmente a meio que começa a ser desmazelado e a tentar disfarçar os pontos fracos com a música. E não me refiro a boa música, mas a música elevada. Parece que a ideia era abafar qualquer voz crítica ou impedir o cérebro de raciocinar debaixo dum bombardeamento sonoro tão intenso como os que vemos na tela. Quanto aos extraterrestres, de vez em quando aparecem para justificar ser uma sequela do outro filme, apesar de estar o mais distante possível em termos de conteúdo. A mensagem até pode ser semelhante – crítica aos americanos por algo que fazem desde sempre – mas é uma visão completamente diferente. Tom Green tentou fazer algo que não pudesse ser associado ao que nos deu regularmente na série “Misfits” e está bem encaminhado para alargar o seu leque de competências pois aqui explorou um pouco de cada género, mas foi um exagero em vários sentidos.

Monsters: Dark Continent” fica bastante longe do que os apreciadores da primeira parte estão à espera. Poderia conseguir novos fãs se se apresentasse honestamente como filme de guerra, mas a máscara de ficção-científica não vai ajudar nessa tarefa.

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