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Crítica a "Tusk"

el  Monday, 13 October 2014 00:00 Written by 

Com a equipa certa, não há filmes complicados.

 

Após uma semana onde quase duas centenas de filmes passaram pelo ecrã, coube a “Tusk” o infortúnio de ser o primeiro filme exibido fora do festival de Sitges. Mesmo tendo sido exibido após a cerimónia de encerramento, honra que coube a Joe Dante, era o filme mais aguardado desta edição devido à excelente relação que Kevin Smith tem com o festival, onde marcou presença e venceu em 2011. Os rumores vindos de fora diziam que o filme não estava a ser um sucesso de bilheteiras nos cinemas americanos, mas isso não incomodava ninguém. Os gostos europeus são diferentes e Smith não sabe fazer maus filmes.

A ideia por trás de “Tusk” nasceu de um podcast e é assim que começa. Dois amigos com um programa muito popular nesse formato, o NotSeeParty, são bastante indecentes no ar. Um deles, Wallace, semanalmente sai em busca das personagens que usam para entreter os ouvintes. Uma ida ao Canadá (True North - o Verdadeiro Norte - é o tema da trilogia que Smith está a fazer) vai levá-lo a conhecer um homem invulgar e com um passado cheio de aventuras valorosas. Mas as histórias do velho escondem um segredo que choca até a boa disposição de Wallace.
Nada mais pode ser dito sem correr o risco de arruinar o filme. Quem ouviu esse podcast, saberá do que trata. Quem não ouviu, apreciará melhor a loucura da história sem saber de nada. O que posso adiantar é o seu elenco de luxo. Tenho de começar por um enorme senhor do cinema em geral e do fantástico em particular. O grande Michael Parks (Earl McGraw em “From Dusk Till Dawn”, “Kill Bill” e “Grindhouse”, e imensos grandes filmes nesta década como “Red State”, “Argo”, “We Are What We Are”) podia-se reformar neste momento que já seria uma lenda da arte. No entanto, continua a oferecer-nos personagens únicas e complexas que descobrimos com muito gosto. “Tusk” não é excepção. Justin Long é o jovem podcaster. Com uma carreira começada no fantástico (“Galaxy Quest”, “Jeepers Creepers”) e vários títulos de destaque pelo meio (“Drag Me To Hell”, vozes em “Hair High”  e “Planet 51”), calhou de se cruzar com Smith em “Die Hard 4” onde interpretaram hackers. Tentaram desviá-lo para a comédia, mas está de volta ao lugar onde pertence. O seu companheiro de programa, Teddy, é Haley Joel Osment. O miúdo prodígio de “The Sixth Sense” e “Artificial Inteligence: AI” reencontra o seu lugar no cinema depois de uns anos a trabalhar em televisão e vídeo-jogos. A namorada de Wallace é a irresistível Genesis Rodriguez de “Man on a Ledge” e “The Last Stand” (que ouviremos brevemente em “Big Hero 6”). Para nos recordar como Smith sabe escolher as suas actrizes, basta recordar o quarteto de “Jay and Silent Bob Strike Back”. Por falar nessa dupla, Smith faz uma pequena homenagem a Jay e Silent Bob, presença fixa no exterior da loja de conveniência, colocando a própria filha e a de Johnny Depp como funcionárias de uma loja semelhante, naquela que é a estreia de ambas em papéis falantes. As duas serão protagonistas na segunda parte da trilogia True North, assim como todos os acima referidos. Também poderia referir o estreante Guy LaPointe, mas ele prefere passar despercebido (é Depp sob pseudónimo para que o público não veja o filme por causa dele) o que é uma pena, pois tem momentos em que rouba o espectáculo.

Com esta reinvenção do terror que recordará alguns filmes de culto que foram censurados e proibidos, Smith prova que qualquer ideia louca pode dar origem a um argumento arriscado. E por mais disparatado que seja avançar com tal projecto, quando se tem os actores e se acredita na ideia, um grande realizador consegue fazer um grande filme. Duvido que algum deles tenha estreia nos cinemas em Portugal, mas os filmes de Kevin Smith merecem um lugar de destaque nas vossas prateleiras.

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