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Critica a "Der Samurai"

el  Thursday, 11 September 2014 22:30 Written by 

Uma enorme e agradável surpresa.

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Indo directamente ao que interessa, estamos perante um dos grandes filmes do ano. Desculpem este começo chocante, mas não precisamos de estar com meias palavras. O filme de Till Kleinert já esteve em Berlim e vai marcar presença em alguns festivais de género. Preparem-se para ouvir falar dele muitas vezes quando saírem os prémios de cada um.

Jakob é um jovem polícia de uma aldeia alemã perto da fronteira com a Polónia. A maior preocupação dos habitantes é um lobo que vagueia na noite e causa alguns estragos. Para evitar que o animal ataque as pessoas ou o gado, Jakob deixa-lhe carne no meio da floresta. Uma noite chega uma encomenda à esquadra. Para o lobo, ao cuidado de Jakob. Essa encomenda vai levar o agente a conhecer um travesti que o vai levar numa perseguição descontrolada. Pois enquanto Jakob é bom, calmo e ponderado, o homem que ele tenta alcançar é quase que o seu oposto: louco, impulsivo e perigoso. Vai ser uma noite como aquele aldeia nunca teve.

Noite. Um lobo selvagem. Um homem selvagem. Um polícia que deixa a arma na gaveta da secretária. E convém não esquecer que, se é um filme de samurais, tem de haver uma espada algures. São estes os cinco elementos fundamentais da narrativa, havendo mais alguns transeuntes ocasionais que depressa se arrependem de terem saído de casa.

Como filme para festivais de terror segue uma estratégia arriscada. A de defraudar expectativas, apresentando sempre algo nem melhor,nem pior, apenas inesperado. Um filme mediano fazer isso pode ser um perigo que aliena o espectador, mas quando tem nível, como é este caso, pode brincar como quiser. Será uma surpresa constante.

Como filme para festivais queer, apresenta um travesti como criminoso psicopata. Era um risco ainda maior, todavia a interpretação de Pit Bukowski está tão fabulosa que só se pode aplaudir. Os travestis também podem ser levados a sério como figuras do mal. E claro que Michel Diercks na pele do agente solitário carrega um igual peso nos ombros. O de jovem preso numa terra a que se acomodou, onde não é bem visto pela sua geração por seguir a lei à risca em vez de se divertir, nem é apreciado pelos outros devido ao seu isolamento. Os dois repartem o brilhantismo e complementam-se. Sempre acompanhados pelo lobo solitário que vagueia na noite, metáfora suprema do que ambos são naquela povoação tão pequena que os locais visitados de dia são exactamente os mesmos que revemos na noite sangrenta. Não há mais para onde ir, não há para onde fugir.

É uma delícia e demonstra uma maestria técnica incrível. É difícil de acreditar que tenha sido um trabalho escolar. De conclusão de curso, mas escolar na mesma. Faz recordar a cinematografia belga ou neerlandesa onde por vezes também surge um título com esta profundidade emocional e disruptivo qb. Não é costume o cinema alemão trazer-nos obras assim e isso explica-se facilmente. Como a televisão alemã não apoia este género de filmes, ninguém quer arriscar. Till Kleinert teve de recorrer ao crowdfunding para o financiar. Se tivessem sabido disso antes, talvez pudessem ter a vossa fotografia na parede da esquadra, ou o vosso nome no genérico final. É uma questão de estar atento pois com base neste exemplo, trabalhos (e sucessos) não faltarão no caminho deste jovem realizador.

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