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Crítica a "A Day"/"Ha-Roo"

el  Monday, 16 October 2017 17:00 Written by 

Lá vai a pobre marmota sair do buraco mais cem vezes…

Quando Bill Murray acordou naquele fatídico Dia da Marmota pela segunda vez, não imaginava onde se estava a meter. Desde então ele terá acordado mais uns milhares de vezes nesse mesmo dia, e a indústria do cinema começou a achar por bem fazer igual número de cópias. A maioria dessas tentativas foram más e ignoradas, mas felizmente este ano até há coisas boas dentro da temática.

Da Coreia do Sul chega-nos “A Day”. Aqui o protagonista é um médico. Quando ele acorda no voo de regresso depois de uns meses nas Nações Unidas, a sua prioridade é reencontrar a filha e festejar o aniversário da pequena. Uma viagem normal do aeroporto para o restaurante é alterada quando se cruza com um acidente rodoviário. Numa tentativa de salvar a segunda vida do dia, o bom doutor corre para o carro e depois de uma rápida intervenção, apercebe-se que não conseguirá salvar todos. Acorda no avião desse terrível pesadelo e o dia volta a desenrolar-se exactamente da mesma forma. As tentativas sucedem-se até que de repente um paramédico muito transtornado vai ter com ele a perguntar porque não faz sempre o mesmo. Afinal o médico não está sozinho nesse ciclo e os dois salvadores de vidas podem agora trabalhar em conjunto para impedirem aquele acidente de acontecer.

É muito perigoso pegar numa ideia já tão bem explorada e ainda por cima conhecida de todos e adorada por muitos. O twist que este filme dá é suficiente para aumentar em muito a complexidade. A possibilidade de partilhar informação com alguém, sem ter de explicar tudo antes a uma pessoa incrédula, facilita a missão. Especialmente com telemóveis que evitam terem de se reunir fisicamente e sendo eles dois profissionais de saúde, treinados para salvar vidas. Essa sensação que “coisas más não deviam acontecer a pessoas boas” e merecem uma nova oportunidade para salvarem gente que lhes é querida valoriza imenso o filme, e o twist seguinte, ainda melhor. Pelo meio há adrenalina, acidentes aparatosos, humor e aquela bela vingança fria que os coreanos nos dão em tela como poucos. Porque afinal, até as pessoas perfeitas têm algo negro no seu passado e terão de evoluir como seres humanos para derrotarem o destino.

Contra todas as expectativas, não é o mero filme de fantasia, mas uma obra de acção sobre perdão e redenção, sem momentos mortos e que deixa a pulsação acelerada como poucos. Revitaliza o género dos loops temporais, entretém e ainda transmite preciosas lições enquanto nos leva nesta alucinante corrida. Incrível como Sun-ho Cho conseguiu tanto na sua primeira obra. Argumento, fotografia, coreografia, condução desenfreada, ângulos originais de câmara e quando entram os efeitos especiais em cena é para aplaudir. Isso tudo enquanto equilibra temas tão díspares como o mundo da política internacional, os problemas de hora de ponta e as relações familiares.

No elenco o grande destaque será para o protagonista Myung-min Kim (que surgiu pela primeira vez em “Sorum” e tinha andado ausente dos filmes que chegam ao ocidente), mas estão todos muito bem. Venha agora uma segunda obra que esta não pode ser esquecida.

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