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Crítica a "Lake Bodom"

el  segunda, 11 setembro 2017 12:00 Escrito por 

Podia ter sido bom...

Quando dois rapazes convidam duas raparigas para irem passar uns dias no lago, já sabemos que vai aparecer algum maníaco homicida para os matar de forma dolorosa. O massacre está garantido. Este filme não é excepção. A diferença é que o quarteto sabe ao que vai: eles querem recriar o massacre. Não com as mortes incluídas, mas apenas da situação de forma a perceberem o que aconteceu no Lago Bodom há meio século e que ainda não tem uma explicação oficial. Claro que não estamos perante um trabalho documental, mas de uma obra de ficção, pelo que o elemento slasher surpresa – ou não, eles estavam a pedi-lo – não tardará. Portanto, é em parte o slasher “jovens vão acampar na floresta” e em parte o found footage “equipa de investigação vai ao bosque do assassino procurar a entidade responsável”, mas sem câmaras nas mãos dos protagonistas, o que é um alívio.

Vindo da Finlândia, o único país escandinavo que não tem tradição no cinema de terror e que nas últimas décadas só recentemente produziu dois filmes memoráveis (“Rare Exports” em 2010 e “Bunny, the Killer Thing” em 2015), “Lake Bodom” chegava com a intenção de revitalizar o género e dar o arranque definitivo numa indústria que nos países vizinhos é significativa. O realizador responsável por esta louca tentativa, Taneli Mustonen, chega da comédia e da televisão e nota-se que não tem as bases para tal epopeia. Aliás, na apresentação do filme disse que o seu país não tinha filmes de género há uma década, o que é deveras preocupante, até porque o lago fica nas proximidades de Espoo que por vários anos albergou o único festival de género na Finlândia. Mustonen conhece várias das regras, mas não as aplica bem. E tudo aquilo de errado no argumento - pelo qual é co-responsável - que no final até pode ser parcialmente justificado pelo twist, antes disso é apenas considerado mau cinema. Teria outras formas de chegar ao mesmo resultado agradando aos espectadores.

Falando daquilo que realmente agrada no visionamento, tem cenas bem sangrentas, tem momentos de humor, tem uma rapariga voluptuosa com ar de sonsa que serviria como final girl e tem personagens que desejamos ver mortas depressa. O problema de serem poucas personagens é que as mortes logicamente também são poucas, e no fazer render cada cena ao máximo o filme tem alguma criatividade. Na parte técnica também há muitas surpresas, com qualidade inesperada na fotografia e som se recordarmos que é um filme passado na floresta à noite. O problema essencial está nos diálogos e na direcção de actores, pois não se consegue simpatizar com nenhuma das personagens por muito tempo e, ainda que façam bem cara de susto e gritos, quando abrem a boca sai a frase errada para a situação.

A ideia de “Lake Bodom” era boa e relativamente original (no MOTELX havia pelo menos mais um filme com premissa semelhante), mas não foi bem executada. É daqueles raros casos em que esperar pelo remake americano (não confirmado) é capaz de ser boa ideia. Uma maior experiência no género de argumentista e realizador seria o mínimo para fazer algo decente desta ideia. Claro que o termo remake aqui é só uma sugestão. A história precisa de tantas melhorias que dificilmente se poderia achar que tinha vindo do mesmo material.

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