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Crítica a "Berlin Syndrome"

el  segunda, 11 setembro 2017 10:30 Escrito por 

Três australianas responsáveis por um grande filme alemão.

Berlin está na moda. Em conversa com viajantes vindos de todo o mundo fiquei a saber que, de todas as cidades europeias, Berlin é aquela onde o inglês se tornou mais comum. A cidade tem muito património cultural, ainda não está farta de turistas (como Lisboa, Porto, Veneza e Barcelona, para citar uns exemplos) e é relativamente barata atendendo ao facto de ser uma capital e num país com forte poder económico. Portanto, um destino perfeitamente legítimo para turistas. Esta é a história de uma australiana que viaja sozinha e tem uns problemas em Berlin. Com tantos filmes de terror sobre turistas e hostels em países simpáticos como a Eslováquia, era chegada a hora de também as metrópoles sofrerem essa agressão no número de visitantes.

Clare é uma turista como muitas outras. Escolheu a Alemanha porque, como fotógrafa, quer explorar a arquitectura da RDA. Ao fim de uns dias em Berlin e quando era suposto seguir para Dresden, tem o impulso de ficar mais um pouco, influenciada por um alemão que conheceu na véspera. Foi uma decisão muito má, considerando o que acontece a seguir. Retida contra a sua vontade, terá de aprender a lidar com o raptor e, ou aceita a sua situação e o seu futuro como brinquedo do raptor, entrando no clássico Sindrome de Estocolmo, ou arranja uma forma de escapar de uma casa sem janelas, com uma porta bem fechada e nenhum vizinho que a ouça gritar.

Já vimos dezenas de filmes com temáticas semelhantes. Alguns além da componente sexual juntam-lhe ainda um elevado grau de tortura. “Berlin Syndrome” não chega a tanto, mas consegue ser perturbador precisamente por mostrar como é simples reter alguém contra a sua vontade. O outro elemento diferenciador é ter sido realizado por uma mulher, Cate Shortland. A perspectiva feminina desta situação não tem sido muito utilizada, e não se nota grande diferença em relação aos homens, mas a exploração do físico da protagonista não transmite a mesma sensação de voyeurismo e exploitation que normalmente se tem. A racionalização “o realizador quis foi vê-la nua!” que logo passa a “se é uma mulher a dizer que é importante ter nudismo nesta cena…” que além de estúpida pode não ser consciente, mas saber de antemão que é dirigido por uma mulher muda a forma de ver algumas cenas. A realizadora que já tinha explorado a sexualidade feminina em “Somersault” (em 2004, com uma jovem Abbie Cornish) consegue-nos planos incríveis e tem uma forma diferente de criar e manter o suspense. Parece menos intenso, mas é apenas mais balançado ao longo de todo o filme.

O argumento veio de um livro homónimo, a multi-premiada primeira obra de Melanie Joosten. Nota-se o trabalho da autora em questões sociais, em especial sobre a desertificação das cidades e o isolamento dos idosos. Esses detalhes dão novas camadas à narrativa e um toque autêntico que torna tudo mais plausível, dentro do inacreditável que estas situações parecem sempre ser. E depois há uma grande actriz. A protagonista destas histórias normalmente é uma jovem em início de carreira, que não se importa de arriscar e dá tudo por um papel com visibilidade onde possa mostrar emoções. Neste filme a estrela é Teresa Palmer que protagonizou vários títulos do fantástico como “The Sorcerer’s Apprentice”, “I Am Number Four”, “Warm Bodies”, “Kill Me Three Times” e “Lights Out” entre muitos outros. Os seus anos de experiência dão-lhe uma capacidade incrível de se entregar à personagem e esta Clare com que nos presenteia é uma daquelas mulheres pelas quais se sente afecto imediato. É a sua melhor interpretação pelo menos em filmes de género.

Tendo passado por diversos festivais do fantástico em 2017, o filme já se encontra disponível na Netflix para visionamento.

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