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Crítica a "Hounds of Love"

el  domingo, 10 setembro 2017 11:00 Escrito por 

Um dos grandes filmes deste MOTELX.

Apesar do que os filmes de terror nos tentam dizer, poucas pessoas têm de lidar com psicopatas para sobreviver. No entanto eles não são poucos. Pelo menos não devem ser, visto que se encontram uns aos outros e fazem equipa, aumentando a eficácia. Em “Hounds of Love” temos não o caso de alguma mente distorcida que anda a raptar pessoas, mas o de duas pessoas, o casal White, que anda a raptar jovens raparigas na região. A sua mais recente vítima é uma jovem que saiu de casa chateada e portanto a polícia, a convencida que ela apenas fugiu, não investiga. Vicki terá de superar, de forma física ou mental, dois adultos experientes em raptos que a querem presa e não podem permitir que fuja.

O que parece tema para um episódio de “Criminal Minds”, precisa de algo que justifique o dobro da duração. Normalmente isso está nas mãos dos actores que têm tempo para construir personagens complexas. Verdade que isso aqui se aplica, mas apenas aos três principais, sendo que a família de Vicki é apenas decoração.

Vicki é interpretada por Ashleigh Cummings, uma das estrelas de “Tomorrow, When the War Begun” e regular de “Miss Fisher's Murder Mysteries”. Normalmente tenho enorme admiração por quem interpreta tais papéis. Há uma exposição humilhante, muito sofrimento pelas cordas, a constante contorção e os gritos. Por muito rápido que seja fazer o take, nunca é agradável. Cummings é apresentada como uma jovem revoltada pelo divórcio dos pais, mas ainda uma adolescente. Conhece os males do mundo de forma teórica, mas nunca os enfrentou. Vai muitas vezes abaixo, no entanto tem a força anímica para recuperar moralmente de cada fracasso e tortura e fazer vários planos de fuga. A personagem transmite tudo o que se imaginava. John White (Stephen Curry) é a personagem mais plana. Um claro caso de compensação, bate na mulher e nas vítimas porque é humilhado fora de casa e se quer sentir superior a alguém. Aperfeiçoou a arte a tal ponto que domina a mulher de forma manipuladora, complementada pela violência pura. Demasiado comum na nossa sociedade para se dizer que é uma surpresa. E depois há Evelyn White (Emma Booth de Gods of Egypt e Once Upon a Time) que é a personagem mais complexa do filme, por parecer uma mera vítima de abuso, mas ter várias camadas. É pelos seus olhos que conhecemos a rotina dos White, tanto como cidadãos ditos normais, como dentro do lar onde são bestas cruéis para jovens indefesas.

O filme de Ben Young não traz muito de novo. É inspirado em casos verídicos e com um argumento parecido com muitos outros trabalhos de ficção, na Austrália e por todo o mundo. A nível visual é um belo regresso aos anos 80. A diferença é esta dupla perspectiva feminina, a vítima e a vilã, que prova a complexidade das relações nos casais de psicopatas e entre cativo e captor. O termo “Hounds” no título pode referir o cão do casal, ou o facto de se portarem como animais selvagens em vez de serem humanos. Mesmo sendo semelhante a tantos outros filmes, e ainda por cima uma primeira obra com as limitações orçamentais que se imagina, é tão eficaz como os melhores do género e consegue transmitir terror, tanto na componente visual como na psicológica, e prende o espectador do início ao fim. Um dos grandes filmes do MOTELX e enormes expectativas para o que Young nos trará em seguida.

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