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Crítica a "Rift"/"Rokkur"

el  sábado, 09 setembro 2017 11:40 Escrito por 

um híbrido entre o thriller e o LGBT.

Todos sabemos que o terror é um género complicado para quem chega de fora. Com uma facção a dizer “os amantes do terror devem ser uns insensíveis que não se emocionam com nada” e outra a responder “vocês não podem ver um pouco de sangue sem vomitarem”, parece que nunca se entenderão. A haver um género mais difícil para quem chega de fora, será o cinema de temática LGBT. Classificado por uns como dar voz a uma significativa fatia da população e por outros como nojo ou pornografia, enfrenta os mesmos problemas do terror. Por algum motivo, Erlingur Thoroddsen quis enfrentar todos os tabus e não só faz cinema de terror na Islândia – contam-se pelos dedos de uma mão os filmes de terror que esse país nos deu na última década – como lhe dá personagens homossexuais.

Gunnar namorava com Einar, mas acabaram. Einar não lidou bem com a separação e uma noite liga a Gunnar dizendo coisas sem nexo. Receando pelo ex-namorado, Gunnar parte a meio da noite para a distante cabana no meio do nada na esperança de chegar a tempo para salvar uma vida. Estando os dois homens sós nesse lugar onde partilharam tantos momentos, as memórias voltam. A relação só não melhora porque algo se passa no exterior da cabana. Desde a porta que não abre sozinha, até aos sons vindos do escuro, algo ou alguém os está a levar à loucura. E parece que os habitantes sabem o que é, pois uns falam de assaltantes em busca de casas vazias e outros alertam para os perigos de dar boleia a desconhecidos. E há ainda um carro vermelho e um vulto na escuridão…

O filme de Thoroddsen segue as fórmulas tradicionais dos géneros. Se de um lado temos um thriller psicológico naquele bem conhecido limiar entre o monstro nas trevas e a imaginação de uma pessoa enlouquecida, do outro temos o clássico drama do casal perdido que tem uma última oportunidade de reencontro ou de corte com o passado. Por isso o título original “Rökkur” é tão adequado. Com o significado de "Crepúsculo” é verdadeiramente um filme sobre fronteiras entre dois mundos diferentes e não apenas um filme passado nos dias curtos do final de Outono. O título inglês “Rift” também simboliza corte, mas com uma perspectiva completamente diferente. Alerta para os perigos da natureza naquela geologia vulcânica, onde crianças e animais tantas vezes se depararam com a morte.

Ambos os filmes seriam banais por si só, mas a mistura tão fora do convencional dá-lhe um novo fôlego. Ajudado pela paisagem desolada, pela deprimente época do ano, e pelo isolamento a que se sujeitaram, torna-se o cenário perfeito para ambos os sub-filmes e torna quase lógica a sua combinação. Sim, é previsível para quem vê bastante terror. Sim, por vezes é monótono para quem procurava mais emoções. Mas atendendo ao pouco que daria para fazer nesta narrativa, ao tempo gasto e ao tamanho da equipa, Thoroddsen conseguiu fazer muito. Resta saber se existe público para este cruzamento, mas não existe público mais receptivo a coisas diferentes do que estes dois grupos e decerto ambos farão uma excepção para espreitar o híbrido.

Ainda faltam quase dois meses para as estreias de “Rift”, mas a mera sugestão de fazer terror parece ter funcionado pois depois de “Reykjavik Whale Watching Massacre” (já de 2009) ter sido o mais viajado filme de terror com essa proveniência, o terror islandês tem vários títulos prontos a saírem para o mundo. A pequena ilha, tal como a Finlândia, junta-se com pequenos passos à vaga escandinava e podemos contar com muito terror vindo do frio.

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