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Crítica a "The Endless"

el  sábado, 09 setembro 2017 10:30 Escrito por 

O filme mais desafiante do ano até ao momento.

Aaron Moorhead e Justin Benson já atingiram um certo estatuto entre os seus pares. Com um estilo fiel ao cinema independente, conseguem trazer narrativas que rivalizam sem problemas com as grandes produções. Para esta terceira longa colaborativa, tudo começa com uma referência ao culto dos adoradores dos extraterrestres. Se isso não vos faz recordar “Resolution”, então é melhor irem ver esse antes de passarem para este. E, já agora, vejam também “Spring” que é dos melhores romances com temática fantástica dos últimos anos. Ou então saltem directamente para “The Endless”, mas não será a mesma coisa, isso garanto-vos.

Certamente as duas frases introdutórias vão colocar ideias na mente de quem assiste e ou vão a correr abraçar um irmão, ou vão dizer “Criaturas lovecraftianas? Gosto disso!”. Neste novo projecto, a dupla volta a brincar com as seitas de adoração extraterrestre, falando de dois irmãos que escaparam de tal local e o denunciaram ao mundo. Alguns anos volvidos, e vendo como o mundo real é um tédio, o mais novo pede para visitarem a comuna brevemente e reverem os amigos. É que a mensagem-vídeo recebida insinua que o momento de suicídio pode estar para breve e ele gostava de se despedir. Chegando lá, revivem o trauma da morte da mãe, mas o que os deixa mais impressionados é como todos permanecem jovens. Como se o ar puro, a comida biológica e o trabalho físico fossem realmente o segredo para uma vida mais longa e saudável. Com o passar das horas, Aaron, o mais novo, está convencido que eles deixaram algo bom e quer ficar mais tempo. Justin continua desconfiado e encontra vários sinais de como podem ser um culto. Até a natureza é confusa, com forças ocultas e miragens. Aaron e Justin irão explorar esse pequeno mundo, cada um com a sua mente focada numa perspectiva, e cada vez ficam mais convencidos do seu palpite. É o paraíso? É um culto suicida? Terão tempo para decidirem?

Com um orçamento aproximado de um milhão, Benson e Moorhead não se deram ao luxo de contratar muita gente e acumulam funções. Além de realizadores são os protagonistas, produtores, o argumentista (Benson), o director de fotografia (Moorhead) e um dos dois editores (Benson). Portanto é um projecto pessoal ao qual se dedicaram de corpo e alma. Na equipa artística encontramos Callie Hernandez (La La Land, Alien: Covenant, Blair Witch), Tate Ellington (Shameless, Quantico) e Lew Temple (The Walking Dead e vários filmes de Rob Zombie) nas personagens principais. A maior dificuldade neste género de trabalhos reside nessa dualidade entre serem pessoas indiferentes ao mundo exterior ou um verdadeiro culto e os três conseguem, em algum momento do filme, dar uma imagem de algo e de repente mudar para outro registo. Claro que os actores principais não são a peça-chave neste filme, mas isso é um segredo para cada espectador descobrir por si e este texto já disse tudo o que podia sem estragar as surpresas. Basta dizer que tem algum terror, tem muita ficção-científica e fantasia cada um usa a que quer. Pode mudar a perspectiva do mundo que nos rodeia.

The Endless” ainda está a começar a sua digressão de muitos meses pelos festivais. Serão certamente meses de muito sucesso, com prémios incluídos, mas principalmente de crescimento do número de fãs da dupla. Porque não é de apenas um filme que se faz uma carreira e, até ao momento, a qualidade tem vindo a aumentar a cada título. Resta aguardar para ver o que nos trarão em seguida. Pelos vistos uma série com mais de cinquenta horas.

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