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Crítica a "Playground"/"Plac Zabaw"

el  sábado, 09 setembro 2017 09:30 Escrito por 

o terror vindo da Polónia (até fazem piadas sobre Auschwitz!).

O cada vez mais relevante cinema polaco tem em “Plac Zabaw”/”Playground” o seu título forte desta estação. Estreado em 2016 no festival de San Sebastian (o que não é de terror), acabou por fazer um trajecto festivaleiro entre os dedicados ao cinema europeu e os do cinema fantástico. Porque se por um lado tem muito da cultura e sociedade polacas, é também uma obra de horror.

Uma rapariga e dois rapazes são-nos apresentados. Apenas três crianças a viverem as suas vidas inocentes. A ocasião é o final do ano escolar e a escola está em festa. Só que para cada um destes indivíduos a celebração não é o fundamental e têm algo mais em mente. Os seus próprios problemas e desejos ocupam-lhes os pensamentos. Por serem gente pequena as grandes dificuldades que enfrentam parecem avassaladoras. E depois há sempre decisões estúpidas pelo meio. Afinal, são apenas crianças. Estão a acabar a escola primária.

Quando um filme de terror diz que é baseado em factos reais, há duas opções. Ou foi adulterado para ser mais interessante, e portanto é basicamente uma mentira, ou nunca chegará ao nível de violência de uma obra de ficção. E depois há casos como este “Plac Zabaw” que consegue ser fiel ao material original e ser tão incrível que não se acredita não ser ficção. Mas aqui incrível não significa bom. Significa apenas chocante. Tal como o nome sugere (algo como ‘parque infantil’) estamos a falar de crianças entediadas que tomam decisões erradas. Pode ser baseado na sua idade ou pura falta de moral, mas a verdade é que são decisões muito más. O problema é que, como não se passa muita coisa na história real, o filme vai fazendo render o pouco que tinha ao dispor, arrastando com planos demorados até ao desfecho. Ainda que no início faça introduções às personagens com a duração certa e uma aura de mistério muito eficaz, esse potencial vai-se esvanecendo por meia hora e só nos últimos minutos volta a ser transgressor.

O que teria sido um excelente pretexto para fazer uma curta, talvez roubando à introdução e usando outra aproximação, teria sido uma ainda melhor média-metragem. Se não se perdesse em floreados (literalmente foi nas cenas das flores que começou a confundir e a desperdiçar o trabalho feito anteriormente) e saltasse mais depressa para os confrontos teria sido um filme muito mais interessante. Assim é apenas um filme chocante e muito polarizado. Não entre os que adoram e detestam - é muito difícil adorar algo assim - mas entre os que o acham poderoso e os que o acham horrível.

Se há algo a tirar deste filme é que se deve acompanhar as crianças em permanência. Por vezes não dão sinais, mas a mais pequena coisa pode ajudar a impedir atitudes com outras consequências. Só que muitas vezes a família, quem devia monitorar, é a própria razão desses problemas. Isto poderia dar origem a uma bela discussão em que não se chegaria a nenhuma conclusão, mas como é um tema que ninguém quer debater (pelo menos não ao nível que o filme obriga), fica apenas como alerta. Fantásticas interpretações dos jovens talentos, uma incrível fotografia e edição, e uma cena final que certamente ficará marcada na memória. Com menos uns minutos eu estaria completamente do lado dos que o acham poderoso. Assim, perde-se a atenção do espectador e o soco final no estômago pode já encontrá-lo a dormir.

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