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Crítica a "Prey"/"Prooi"

el  quinta, 07 setembro 2017 11:30 Escrito por 

Nada promove o turismo local como um leão à solta na cidade.

O bravo leão faz parte do emblema de diversos países e cidades na Europa. No entanto, os últimos leões em liberdade nesses locais terão já alguns séculos ou milénios. O leão pode ser muito apreciado pela sua força, elegância e como símbolo de realeza, mas ninguém o quer a passear na rua. É esse o problema de Amsterdam: tem um leão a passear pelas ruas. Na verdade, o problema é outro. O leão está a passear e a comer as pessoas. Amsterdam pode ser uma cidade muito liberal, mas cadáveres mutilados em putrefacção nas ruas e nos canais, não fazem parte do plano municipal. Por isso a polícia alia-se a uma veterinária do jardim zoológico local para identificar o animal e descobrir formas de o capturar, vivo ou morto.

Dick Maas é um realizador que gosta de arriscar. Os seus filmes fogem do convencional e é dos poucos que ainda faz terror na Holanda, ainda que este tenha sido um projecto mais caro do que o habitual e tenha tido os piores resultados de bilheteira da sua carreira. No entanto ele tem sido um perigo para o turismo na região. Desde cidades assassinas, edifícios com partes assassinas, santos assassinos e agora animais assassinos, faz de tudo um pouco para reduzir o número de turistas. O realizador conhece bem a cidade e move-se com facilidade pelas ruas, jardins, canais e edifícios, dando uma fluidez que mesmo alguém de fora consegue sentir. Também na narrativa tem a liberdade de quem não é um realizador de género para alternar terror com humor. Quem esperava ver em "Prooi" um novo “Roar”, “Cujo” ou “Life of Pi”, vai ter uma grande desilusão quando começar a rir. O filme fica mais ligeiro, acessível a todos os públicos e perdoa-se o nonsense. É que um leão gigante, que se sente confortável no centro da movimentada cidade, que mata várias pessoas num só dia apenas por prazer, que não se consegue seguir de helicóptero e que só foge das balas quando é conveniente para a narrativa, não é muito convincente. O filme funciona como uma sátira a todos os filmes feitos com monstros vindos da natureza. O seu início rápido permite que se classifique como terror à primeira vista, mas ao fim de uns minutos a classificação mudaria para telefilme devido ao seu gore light e às abundantes cenas cómico-românticas. O leão artificial não é perfeito, mas não é tão mau como se pode pensar. Os sustos são ocasionais e mais pelos movimentos bruscos do que propriamente de visual. Como bem sabemos depois de vários filmes do género, o monstro funciona melhor quando se move nas sombras do que quando sai para frente da câmara e este felino não é diferente.

No início do festival, com base nos membros do júri e nos trailers, apostaria em “Prooi” para levar o prémio de melhor longa europeia. Após o visionamento fico com as minhas dúvidas se não será um filme demasiado light para o máximo galardão de um festival de terror. Não seria a primeira vez que tal acontecia, mas não parece correcto.

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