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Crítica a "Alien: Covenant"

el  terça, 23 maio 2017 12:30 Escrito por 

Uma vez mais para o espaço onde nunca ninguém nos ouve, caro amigos.

Com quase quarenta anos volvidos desde a estreia de “Alien” e a enorme mudança que trouxe ao género, Ridley Scott está de volta a este universo que tão bem conhece com a nave Covenant. Passaram dez anos desde os acontecimentos do filme “Alien: Prometheus”. Um flashback mostra o momento em que Peter Leyland liga pela primeira vez David, o androide que partiu naquela fatídica missão. David é a arquétipo da criação, um robot desenhado para ser mais humano do que os humanos. Todos sabemos como isso correu bem.

Esta nova missão é de colonização e tem a bordo Walter, uma versão melhorada do androide. É ele que mantém a nave em funcionamento enquanto a tripulação está em híper-sono. Só que uma explosão de neutrinos causa danos na nave e isso obriga-o a activar o protocolo de emergência e a acordar os humanos. Essas criaturas que pensam demasiado e mesmo assim cometem erros. Quando decidem mudar o plano e investigar um planeta mais próximo, já se consegue imaginar o que vão encontrar…

Em “Covenant” temos uma tripulação diferente do habitual, com várias relações interpessoais. Afinal, é uma missão de colonização. Uma tripulação que descobre um planeta habitável e não segue os mais básicos princípios de segurança. Uma tripulação que não se fascina com o mundo novo que acabaram de descobrir. Apenas a protagonista tem algum tratamento humano, sendo os restantes meros robots a cumprirem um estereótipo. Ironicamente, isso não se verifica com o androide. Fassbender, no seu duplo papel David/Walter, tem momentos geniais que recordam as interpretações de “Artificial Inteligence”. E ainda que encapuzado continue a fazer recordar Magneto, transmite uma aura de tranquilidade difícil de igualar. Aliás, basta a sua interpretação para distinguirmos os dois seres artificiais aparentemente idênticos. O elenco está recheado de outras estrelas. Mesmo se Katherine Waterson ainda não chegou ao estrelato (currículo não lhe falta tendo trabalhado com Paul Thomas Anderson, Danny Boyle e David Yates), é secundada por nomes como Demián Bichir, Billy Crudup e Carmen Ejogo. No entanto são Waterson e o inesperado Danny McBride - argumentista, produtor e actor de comédias – quem seguram o filme por estarem nos lugares errados. Ela é a mais devastada no solo, ele o único impaciente na nave. Este trio de pessoas desajustadas são o que melhor se recorda da história: Fassbender de certeza, Waterson possivelmente, McBride talvez.

Num filme onde o visual e os efeitos visuais são reis, falta o velho elemento-chave Terror que o novo xenomorfo menos sorrateiro não transmite. Tem muito sangue, desmembramentos e uma ou outra cabeça sem pescoço, mas não causa arrepios. E isso não é sinal de insensibilidade do espetador pois o primeiro ainda funciona. A saga Alien pode já não ser inovadora na ficção-científica ou no terror, mas tornar-se mais um blockbuster de acção é humilhante para esta narrativa. É verdade que surgem muitas questões e agora queremos ver o que falta das prequelas (ainda sem um número final oficial) para perceber se isto faz sentido ou se foi apenas uma tentativa de ser inovador e uma bota impossível de descalçar, mas não responde a nada do que queríamos. Ou seja, além de ser uma desilusão é frustrante.

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