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Crítica a "The Jungle Book"

el  Monday, 29 August 2016 08:00 Written by 

Ai, as histórias infantis…

 

Graças a um enorme esforço da Disney, secundada por outros estúdios, qualquer criança sabe que o que é preciso para sobreviver na selva é ser adoptado por símios, por lobos, ou por um suricate e um javali cantantes. Só que enquanto as aventuras de Tarzan e Simba se focam na vida adulta, a de Mowgli é sobre uma criança que tem de sobreviver contra as probabilidades. Claro que ser adoptado por uma alcateia, uma pantera e um urso não para qualquer um, mas quando Kipling escreveu esta história, a sua ideia certamente não era mostrar a diversidade de animais que povoam a Índia, mas as personalidades que existem na sociedade e que o mais importante é encontrar quem nós somos e quem queremos a nosso lado. Ainda que nem todos possam crescer com um Grilo Falante na orelha ou a cantar “Hakuna Matata”, a ideia de ser protegido e guiado por Baguera e Baloo continua a ser tão mágica como quando Robert Baden-Powell adoptou a nomenclatura deste Livro da Selva para o escutismo.

A história do pequeno Mowgli é sobre um rapaz criado por lobos que tal como um patinho feio nunca se integrou completamente no alcateia. Ele tentava ser um lobo, mas enquanto a sua fisionomia o impedia de ser um lobo a cem por cento, a sua criatividade levava-o a fazer coisas inimagináveis para a maior parte dos animais. E a sua curiosidade pelo reino animal faz com que estabeleça amizades com outras espécies facilmente, em especial com as que não devia e se tentam aproveitar dele. O seu mundo idílico descamba quando o temido tigre Shere Khan descobre que há um humano na selva e assume como uma questão pessoal a morte desse intruso, fazendo com que Baguera o queira levar para a civilização humana onde ficaria a salvo do tigre, mas para sempre afastado dos amigos.

Esta versão em imagem real não se desvia muito da versão original. Por entre uma imensidão de animais criados por computador podemos escutar as vozes de Idris Elba (o tigre), Lupita Nyong'o (a loba Raksha), Scarlett Johansson (a serpente Kaa), Giancarlo Esposito (o lobo-alfa Aleka) e Christopher Walken (Rei Louie). Como se este leque de luxo não fosse suficiente, o excelentíssimo Ben Kingsley interpreta o sempre sábio Baguera e para o divertido Baloo temos nem mais nem menos do que o companheiro de aventuras ideal para qualquer situação, o fenomenal Bill Murray. O único actor de carne e osso é o estreante Neel Sethi que cumpre sem problemas o exigente papel de imaginar toda uma selva à sua volta e se mover nela. Nada a apontar na componente técnica. Por muito que quisesse dizer mal, pelo menos aos padrões actuais este mundo inteiramente artificial é completamente credível.

Já na parte narrativa, tinham a difícil tarefa de recriar o encanto da versão animada que todos conhecem (para não falar do livro que certamente poucos conhecerão) sem a imitar. O início parecia corresponder às baixas expectativas que eu trazia e tem Mowgli a correr pela selva, ladeado por animais ferozes que afinal revelam ser amigos. O que se esperava da infantilização de uma obra já levemente infantil? Pois a partir daí a trama vai evoluindo, sendo bastante fiel aos desenhos animados, fazendo a devida passagem pelo reino dos macacos, dos humanos… Só retiraram os abutres que tanto me aterrorizaram há trinta anos, mas até as músicas conseguiram homenagear sem fazerem uma imitação ou descarrilarem num musical. E que dois para as cantarem! Quanto ao final, não sendo uma surpresa é imponente. Percebe-se o sucesso desta adaptação e é mais um forte título no longo reinado Disney, tão irresistível como Kaa.

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