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Crítica a "Suicide Squad"

el  Monday, 22 August 2016 08:00 Written by 

Tanta gente, tantas expectativas, uma pequena desilusão.

Vão encontrar spoilers relativos aos dois anteriores filmes da DC, se ainda não os viram, sigam por vossa conta e risco.

 

Depois de um “Man of Steel” autónomo e um “Dawn of Justice” que começa a estender a intrincada rede da DC, “Suicide Squad” era um trunfo, um joker, que daria algum humor a um universo até agora muito negro e intenso. Como O Homem de Aço morreu, o exército americano procurou uma solução. Amanda Waller explorando ficheiros classificados reuniu um belo dossier de indivíduos peculiares, arranjou força de capturar vários deles e tornou os responsáveis por esses “X-Files” a sua Task Force X. Uma série de criminosos e psicopatas, com aptidões extraordinárias, ou meta-humanos com super-poderes, ou mesmo indivíduos com dons sobrenaturais. E o extra mais valioso: serem todos uns indesejados cuja perda seria talvez aplaudida do que o sucesso na missão. Missão essa que seria enfrentar os futuros super-inimigos da Terra e do american way of life. Mas exploremos em mais detalhe cada um dos indivíduos deste projecto tão especial.

Os "maus":

Captain Boomerang: um indivíduo sem super poderes, mas capaz de construir e utilizar boomerangs muito para além do imaginável. A sua especialidade é o assalto a bancos. Tem como inimigo o Flash e essa dica foi sendo lançada neste filme.

Croc: um meta-humano que nasceu com um aspecto reptiliano e a força correspondente. Procura sossego longe da sociedade, mas ainda está a pagar pelos seus crimes.

Deadshot: o atirador perfeito tem uma regra simples: não matar mulheres nem crianças. Qualquer outro alvo, não há registo de alguma vez ter falhado.

Diablo: este meta-humano controla o fogo com a mente. Já causou tanta dor e destruição que se recusa a fazê-lo novamente.

Enchantress: uma bruxa que já existia antes da humanidade domar o barro ou os animais. Consegue materializar-se em qualquer lugar e controlar os humanos a seu bel-prazer. O seu corpo nesta era é o de June Moone, que no filme é uma arqueóloga.

Harley Quinn: a cara-metade do Joker é tão louca e perigosa quanto ele, mas disfarça melhor. Por ser tão sedutora qualquer opositor fica rapidamente indefeso.

Slipknot: é capaz de escalar qualquer superfície. Não é relevante para a história, foi apenas um elemento decorativo para fazer homenagem aos comics.

Os "bons":

Amanda Waller: implacável e destemida, é capaz de tudo para atingir os seus fins, controla todas as peças do tabuleiro, ainda que algumas não o saibam.

Rick Flag: um humano, tem todas as capacidades do soldado perfeito e é suficientemente destemido para conviver com esta gente.

Katana: Uma samurai que matou muitos criminosos por vingança é agora a guarda-costas de Rick Flag no meio de todos estes assassinos. Não tem poderes extraordinários, mas as suas armas são místicas.

E ainda:

Batman: sendo uma grande parte destes vilões do universo Batman, o herói de Gotham vai dando um ar da sua graça nos flashbacks.

Joker: o imprevisível vilão tem uma palavra a dizer quando se trata de reunir vilões e vai sabotar meticulosamente o trabalho de Waller.

 

Para gerir um filme com todas estas figuras (e outras que não podem ser reveladas) e poderes destrutivos, o realizador escolhido foi David Ayer, que em “Fury” nos trouxe um filme de guerra também de elenco alargado. O problema é que se já no filme anterior o foco estava em apenas duas personagens, também aqui não seria possível trabalhar todas elas em simultâneo. Waller não precisa de muito para convencer. Basta recordar que em 2008 Viola Davis foi nomeada a Oscar por uma interpretação de sete minutos. Rick Flag é o melhor papel até à data de Kinnaman. Com um pouco mais de tempo podia ser a figura principal do filme, assim é apenas o líder oficial que mantém o grupo coeso. Katana tem um papel reduzido.

Nos vilões o protagonismo previsível está dividido entre Deadshot e Harley Quinn. Smith e Robbie com a cumplicidade de terem trabalhado juntos em “Focus” entendem-se bem e ainda que as suas personagens trabalhem em sentidos opostos - com Deadshot a assumir os deveres de líder do esquadrão e a cumprir as directivas, enquanto Harley desestabiliza o grupo em todo o que faz – confirmam o seu estatuto de estrelas maiores e seguram o filme do início ao fim. De notar que é melhor a interpretação do lado humano/pai de Deadshot do que a interpretação do assassino, e que esta Harley não é tão louca como se desejaria. Não só os intérpretes são estrelas demasiado grandes para uma constelação tão apertada, como as personagens precisavam de outro desenvolvimento. Para quem não leu os comics, para os conhecer. Para quem leu, porque sabem que o merecem. Nos outros, o destaque vai para Jay Hernandez como Diablo que sem fazer nada por muito tempo, tem uma chama no olhar de quem sofre e ao mesmo tempo tem medo do que esconde. Fica ainda uma palavra para o Joker que parece desenquadrado com o filme, como se estivesse num mundo só seu. Quem não o conhecer (e este Joker não é nenhum dos anteriores mostrados em filme por isso não o conhecemos) ficará no mínimo confuso.

Com um cuidadoso trabalho de construção da equipa e uma progressiva entrada em cenário de guerra numa única missão que se vai complicando, “Suicide Squad” guardou a maior parte dos trunfos para o final, em especial o combate final que demora muito para mais do que seria de esperar sem se tornar cansativa. É aqui que são usados todos os efeitos, os twists e revelados todos os poderes. É aqui que o espectador dará ou não o dinheiro por bem empregue. Quem procura um filme com muita acção e toques de humor ficará satisfeito. Quem procura uma homenagem digna das personagens (nem comparo aos comics onde se baseou) terá uma ligeira desilusão, mas fará melhor em ver no grande ecrã do que no pequeno.

Infelizmente o ponto mais interessante do filme é a cena extra final a fazer a ponte ao universo DC. Se a Warner conseguir cimentar estas personagens humanas enquanto prepara os seres divinos da Justice League, pode ter aqui um bom filão. Mas como o podem fazer se os heróis que os poderiam deter se estão a preparar para uma ameaça bem maior? Fica tudo nas mãos do próximo passo, que ou mantém os heróis por perto a resolver os problemas de cá (e ainda não ter Green Lantern pode ser por causa disso), ou dá o passo decisivo para vôos maiores e esta ramificação ficará esquecida.

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