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Crítica a "Transformers: A Era da extinção"

el  Wednesday, 25 June 2014 20:18 Written by 

Quase três horas de explosões monstruosas, sucessivos desfiles de carros desportivos, raparigas que parecem saídas de um catálogo de lingerie e robots dignos de proporcionar um prazer orgásmico ao menos ávido dos coleccionadores é o que tem para nos oferecer a mais recente prova do exibicionismo de Michael Bay.

Retomando os eventos dos filmes anteriores, o argumento de “Transformers: a Era da Extinção” faz tábua rasa de um elenco desgastado, mas que ainda assim ajudou a transformar os “pequenos” robots num dos grandes fenómenos de bilheteira no novo milénio. 
Desta feita, Mark Whalhberg interpreta o Macho Alfa de serviço, com o duplo propósito de fazer os homens questionar a sua masculinidade e as mulheres apaixonar-se. Ele interpreta Cade Yeager, um inventor que não tem medo de sujar as mãos e desempenhar o mais duro dos trabalhos, ao mesmo tempo que faz o papel de pai extremoso de uma adolescente na idade perigosa dos amores e ainda um viúvo incapaz de voltar a entregar o coração a uma mulher. Num dos biscates habituais depara-se com um camião que na verdade é Optimus Prime (oops, spoiler), e cedo a sua quinta estará rodeada de assassinos da CIA a cargo do tenebroso Harold Attinger (Kelsey Grammer). Cade encontra-se no lado oposto ao que poderia esperar. Enquanto os humanos, que representam a autoridade desejam perseguir e desmantelar os autobots, estes últimos pretendem, por sua vez, uma existência pacífica. A premissa não é muito diferente daquela dos blockbusters que têm estreado nos últimos anos. A ganância do Homem e o desejo de reinar sobre todos os seres e em todos os planos é a força motriz da estória. Já quem incute o veneno para a sua acção é outra estória… No final será o corajoso cidadão comum que irá pôr cobro à vilanagem dos grandes papões. Moral bonita mas oca, pois que de alma e, esta é referida por diversas vezes, nada tem. 
Wahlberg ainda tenta conferir alguma empatia ao seu personagem que é desenraizado da sua terra à força e que tem uma filha em perigo, mas é difícil encontrar um ponto de afinidade quando se colocam mitos criacionistas (a sério), robots e alienígenas numa mesma frase. Ele é acompanhado por Nicola Peltz e Jack Reynor, que interpretam a estupidamente gira Tessa Yeager e o namorado que, por uma coincidência extraordinária, é piloto de automóveis. A relação deles até dá azo a um dos momentos mais questionáveis do filme, quando há debate sobre o que poderá constituir abuso sexual... De resto, quanto menos se falar deles melhor. Curiosamente, ou talvez não, a personagem de Wahlberg a dada altura afirma recusar-se a cair sem dar luta, uma frase que emula as declarações do actor sobre o 11 de setembro e que caíram mal entre o público americano. E para uma colagem completa à realidade, a maldade encontra-se patente num Kelsey Grammer cuja recente má persona pública poderá ter algo que ver com o facto de interpretar o mau da fita. Já o desejo de omnipotência é interpretado por um Stanley Tucci que por mais que queira, fica sempre aquém de o detestarmos por completo. A rodear o elenco, encontram-se Sophia Myles e, em particular, Li Bingbing que não é uma das actrizes chinesas mais requisitadas da sua geração por acaso, em papéis subaproveitados.


Transformers: a Era da Extinção” tem um rítmo rápido e furioso, cansativo até, a partir do momento em que mete a 5ª mudança. Os robots, as grandes estrelas de “Transformers: a Era da Extinção”, finalmente têm o destaque devido. Os velhos conhecidos e preferidos das crianças desfilam pelo ecrã e estas com certeza irão desdobrar-se a enumerar quem acabou de surgir no ecrã. Pelos vistos Bay aprendeu com o grande erro de “Transformers - Retaliação”. A audiência pretende mais do que ouvir grandes massas de metal a colidir e manchas cinzentas a rodopiar numa confusão visual, tornando-se impossível discernir o que quer que seja. 
As sequências sucedem-se ainda intermediadas por product placement do mais descarado que se possa imaginar. Imaginem dois robots em pleno confronto, que ao deslocar-se passam por um outdoor de marca de lingerie feminina. Ou um personagem que decide descontrair com uma bebida energética no pior momento possível, chamem-lhe um Bayismo.


“Transformers: a Era da Extinção” é um misto de “Parque Jurássico” com filmes de invasões alienígenas e “Velocidade Furiosa” todos reunidos num anúncio publicitário gigante. Até se pode afirmar que Michael Bay não percebe muito de filmes, mas ele entende como ninguém as emoções que movem o seu público e, com robots, carros, babes, naves espaciais, cenários fantásticos e explosões gigantescas, não há como dizer que falhou o alvo. Duas estrelas e meia.

Realização: Michael Bay
Argumento: Ehren Kruger
Mark Wahlberg como Cade Yeager
Stanley Tucci como Joshua Joyce
Kelsey Grammer como Harold Attinger
Nicola Peltz como Tessa Yeager
Jack Reynor como Shane Dyson
Titus Welliver como James Savoy
Sophia Myles como Darcy Tirrel
Bingbing Li como Su Yueming
T.J. Miller como Lucas Flannery

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