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Crítica a "Extinction"

el  Wednesday, 09 September 2015 11:00 Written by 

comentou o filme quando este estreou em Espanha há três semanas (com spoilers).

Por fim chega às nossas salas, após passagem por VOD nos EUA, a adaptação da maravilhosa novela de Juan de Dios Garduño "Y pese a todo...". Dirigida pelo realizador Miguel Ángel Vivas, autor de entre outras “Reflejos” ou a exemplar “Secuestrados”, e que nesta ocasião enfrenta a difícil tarefa de demonstrar que mesmo após o desgaste lógico sofrido nos últimos anos, todavia ainda é possível construir histórias interessantes utilizando os nossos putrefactos favoritos como premissa argumental.

A história situa-se nove anos depois do Apocalipse. Dois vizinhos de uma pequena aldeia chamada Harmony e a filha de um deles são, em teoria, os últimos sobreviventes da raça humana. Um deles é um alcoólico, o outro sobre-protector com a sua filha, ambos enfrentam um doloroso segredo do passado, mas depressa terão de unir forças para evitar uma ameaça vinda da paisagem com neve perpétua de Maine.

Aviso à navegação: a novela para mim é, dos livros recentes, dos que melhor soube tratar o género do terror, talvez o melhor. Após o novo boom que teve o icónico zombie nos princípios/meios dos anos 00 (nunca te agradecerei o suficiente Zombies Party), extrapolou-se do meio cinematográfico para diversas artes como a literatura, onde em alguns casos adoptou um tom mais jocoso, até paródico. Depois de ler algumas novelas de qualidade duvidosa, "Y pese a todo..." chegou como um bálsamo, um "algo" diferente que despontava de um mar de cadáveres malcheirosos, pois o livro de Garduño não se centrava nos zombies – neste caso não se sabia a sua natureza, apenas eram umas “armas” com sádicas intenções que se dedicavam a exterminar o que estivesse ao alcance -, em vez disso tratava as personagens, velhos amigos tão magoados um com o outro como consigo mesmos, e que só em última instância poriam a própria vida nas mãos do outro.

Miguel Ángel Vivas, sabedor do material que tinha em mãos, decidiu movê-lo respeitando em muito o tema narrado. Não nos encontramos por sorte com um Guerra Mundial Z, e a pirotecnia foi deixada de lado, já que aqui estamos perante um Fim do Mundo mais pessoal (e nevoso), mas não menos perigoso. Vivas logra manter a tensão durante os primeiros minutos, jogando com as personagens, com o que é real ao não – serão mesmo monstros ou é a mente da menina que os imagina? -, até que finalmente a tensão cresce a tais extremos que acabam por nos saltar à cara durante a sua explosão final (e que explosão).  

Agora, um conservador da novela como eu soube ver os pontos de interesse na transposição fílmica ou simplemente viu um produto rotineiro? Pois Extinction conserva todo o bom que tinha a novela de Garduño, mas adiciona refinamentos e tramas que diferem para a dotar de um maior sub-sentidos, como por exemplo o motivo da querela entre os protagonistas. É certo que isto por vezes joga contra o próprio filme ao permitir certas licenças incompreensíveis, como são por exemplos o desaparecimento da mãe de Jack, o diluído que fica o papel de Emma, ou que no início a origem das criaturas seja diferente da que vemos depois (vejam o filme e perceberão o que vos digo). Além disso, parece-me muito mais adequado o título “Y pese a todo”/”E Apesar de Tudo”... (até o inicial “Welcome to Harmony”) do que aquele que cehgou por fim aos nossos ecrãs, ainda que, repito, não deixo de ser um conservador da novela e posso estar a implicar sem motivo. A verdade é que mesmo assim  desfruta-se muito do filme.

Quanto aos intérpretes, sem dúvida alguma quem levará todos os aplausos será Matthew Fox, que muitos recordarão como Doutor Jack Shephard, mas aqui demonstra que tem muito mais a oferecer. Ao longo da fita apreciamos a sua evolução, passando de um ser tosco e ressentido, com a mente a dois passos de cair num abismo negro –a cena do microfone é o melhor exemplo disso – até se converter no improvável herói da história. Isto não quer dizer que Jeffrey Donovan e a pequena Quinn McColgan falhem nos seus papéis, pelo contrário. A relação entre eles os dois ao princípio é algo tumultuosa, mas pouco a pouco vão-se entendendo, e à medida que o pânico de a perder como perdeu a mãe o enchem, compreendemos esse medo latente, e importamo-nos pelo destino dela.

Muito se falou sobre Clara Lago, se o seu papel é oferecido, se foi uma imposição da produtora, que não combina... É certo que o seu papel é muito breve (a personagem no livro também o era) e de menor importância se comparado com o trio protagonista, mas a sua aparição além de desencadear o final, demonstra que eles não são os únicos sobreviventes que sobram. Além disso, a sua interpretação não destoa do conjunto e sempre é uma alegria ver uma compatriota a participar nestas produções… que continue assim.
Em resumo, Vivas consegue uma vez mais uma filme correcto de género, além de uma notável adaptação, onde aas relações pessoais acabam por ser maos importantes que os próprios zombies. É certo que ficaram de fora situações e personagens do livro que poderiam ter funcionado, e mais de um caberia na estrutura mediante flashbacks, mas asseguro-lhes que a história e os protagonistas farão com que Extinction os agarre do início ao fim.

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