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Crítica a "Foxcatcher"

el  Sunday, 21 June 2015 16:30 Written by 

Foxcatcher, que parecia ser um centro de preparação de campeões, acabou por originar um dos crimes mais macabros que o desporto americano recordará. Neste filme é contada essa história.

Tudo começou com os irmãos Schultz. David e Mark estavam a fazer história na luta livre americana. Os títulos mundiais e olímpicos de ambos despertaram a atenção de munita gente, em especial  John Du Pont, um milionário patriota que queria reunir a melhor equipa de lutadores do país, para os tornar os melhores do mundo. David não quis deslocar a família, mas Mark aderiu depressa à ideia de ser o pilar de uma equipa de eleição. A vontade de se distinguir do irmão mais velho e treinador levou-o para outro estado e para um centro de treinos diferente de tudo o que conhecia. Os problemas começam quando David repete o não. Du Pont não estava acostumado a ouvir um não, até porque, pela sua experiência, o dinheiro comprava tudo e todos. Desiludido por só ter metade dos lutadores de sonho, vai começar a promover o centro Foxcatcher com toda a sua energia, ao mesmo tempo que assume o papel de treinador de atletas que sabem bem mais do desporto do que ele. Lentamente vamos assistindo à queda em tentação de Mark, ao despontar de Foxcatcher e ao aumento de confiança que isso dá a Du Pont. Quando numa prova Mark está no seu pior, David apoia-o e ambos vencem. Ao ver isso, depressa Du Pont o adiciona à equipa. Com os irmãos novamente juntos, os resultados só podiam melhorar. mas aguentarão a pressão?

Consistindo em dois homens agarrados em posições estranhas, a luta livre é um dos desportos mais estranhos alguma vez inventados. Construído de forma a ser visto como um drama, mas nunca escondendo que algo mais se passa, também “Foxcatcher” é belo e desconfortável ao mesmo tempo. A causar o desconforto estão coisas variadas como a desaprovação de Jean Du Pont pelo que o filho faz, o desenquadramento de Mark em Philadelphia e a relação com David, a transformação do sempre divertido Steve Carell num semi-monstro... a lista não pára por aqui. O filme vai construído a sua história de uma forma que funciona tão bem com quem conhece o caso ao detalhe, como com quem pensa que se trata de mais uma história de desporto. Permite perceber a complicação da alta competição quando se envolvem patrocínios e todo o marketing a que o atleta/produto é sujeito para conseguir fazer aquilo que gosta. Não é apenas uma questão de ir a eventos, é também o que faz e o que diz, desafiando os princípios.

A interpretação de Carell tem amplificação devido à caracterização que o torna alguém completamente, diferente, mas também Channing Tatum e Mark Ruffalo nos presentearam com performances de qualidade singular. Secundados por Vanessa Redgrave, Sienna Miller e Anthony Michael Hall, a pressão de darem o seu melhor era alta e não desiludiram, pelo contrário. A forma como se envolvem na história e nos fazem parecer que são naturais daquele mundo tão diferente do seu - e tão diferente dos papéis em que os vemos normalmente - dão ao filme o toque de realismo que não precisava. Tornam uma história verídica em algo acima do documental, quase palpável. “Foxcatcher” cruzou a ténue linha entre ser eficaz e ser envolvente. E fê-lo com um crime. Fantástico e arrepiante. E à terceira, não há como negar que além de documentarista Bennett Miller está condenado a ser um dos grande contadores de histórias da América moderna.

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